quinta-feira, 7 de agosto de 2014

3. Memórias do Alto Mar


Cheta, o patriarca
 Cheta
Neste dia de pesca, decidi experimentar uma cana especial, que o meu amigo Rui Gomes me tinha oferecido. Esta cana tinha sido criada especificamente para a pesca nos mares algarvios, destinada à competição desportiva. Era uma cana comprida, muito robusta, com quase 5 metros de comprimento, dotada de ponteiras muito sensíveis.
Depois de ter iniciado a pesca, acabei por parti-la, pois não me adaptava ao seu demasiado comprimento. Gosto de pescar com canas até aos 3 metros, de preferência com 2,7 metros. O Óscar emprestou-me uma cana sua de reserva, com a qual me procurei redimir.
Atrás de mim, o Cheta dava-me orientações, das mais variadas, com aquele seu saber de longa data. Homem experiente, eu procurei acatar os seus importantes conselhos. Como estávamos a pescar a extremos direitos, conjuguei com ele a melhor forma de nos irmos safando, evitando os atrasos resultantes dos enleios de linhas. 

Meio metrados

Foi um dia fabuloso de pesca. Cada um dos 5 esforçados pescadores levou para a família e amigos, a sua arca bem recheada: sargos de encherem a travessa, choupas de duplo palmo, carapaus meio metrados, fanecas de posta. E outras espécies, eu sei lá que vos diga mais. Exaustos mas felizes. Até o arroz de frango cozinhado pelo Malheiro no barco, equiparou o paladar à felicidade.
Um dia fabuloso, com o Cheta orgulhoso a mirar os seus sargos, capturados aos três de cada vez. Acabou por dizer:
- Eu disse-vos. Este sítio é o melhor.
Ninguém o contestou. Falou o patriarca!
Leça da Palmeira, 15 de Março de 2014
Luís M. Borges

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