O Malheiro e o Pão-de-Ló
O Malheiro
Já referi, que há
bastante tempo não efectuava uma pesca de alto mar, Tinha realmente saudades e
foi com grande expectativa que reiniciei a actividade lúdica, sobre as vagas do
mar de Matosinhos.
A saída da Marina de Leixões
efectuou-se às 07h00. O mar neste dia, apresentava-se calmo e favorável à
realização da actividade piscatória, de uma forma confortável. Vaga de 1 metro,
intensidade da vaga no índice 12, vento fraco, nebulosidade fraca.
Navegámos 2 horas até
ao pesqueiro escolhido e apoitámos em cima de um promissor fundo marinho.
O meu lugar no barco
ficou definido no canto direito da popa, à frente do Cheta e à direita do Malheiro.
No outro canto da proa sentava-se o Óscar
e atrás o Forte. Ninguém atrapalhava
ninguém, pois o espaço entre pares era suficiente, para exercer eficazmente a
acção de pesca.
Foram colocadas na
borda do barco as tábuas do isco com amêijoa branca, condimentada com bastante
sal, depois de devidamente descascada.
O Cheta ofereceu-me um
dos seus aparelhos que juntei à unidade cana e carreto.
Para o fundo
imediatamente e logo começaram a sentir-se os excitantes toques, que a cana se
encarregava de assinalar. Preso um peixe, comecei a recolher e imediatamente me
apercebi, que deveria ser um sargo. Nunca se esquece o que se aprendeu…tinha de
ser um sargo…pela forma de bater! E era mesmo…meio quilo de força … um belo
exemplar.
Os meus amigos, com
toda a sua experiência, não se fizeram rogados e começaram a “pingar” para o
barco choupas, sargos, besugos, fanecas e até carapaus.
Aí estão eles
Claro que as piadas
começaram a surgir. A boa disposição dos elementos desta equipa é fabulosa, a
começar pelo Malheiro. Um homem calmo, sereno, sempre a sorrir, que aceita com
naturalidade tudo que seja perda de material e emaranhamentos complicados.
Aceita menos quando não consegue pescar tanto como os outros, mas disfarça.
Aliás, esta é uma atitude que cai bem em todos. Mas, o melhor do Malheiro, é o
seu pendor para o Pão-de-Ló. Como sobremesa, lá abre um pão-de-ló fantástico, e
todos o elogiam, ao mesmo tempo que o consomem.
E recomeça-se a
pescaria, não sem antes o Cheta, com a sua voz grave avisar
- Os peixes só pegam
às 14h30!
Chegámos à Marina por
volta das 18h00, com uma bela pescaria.
Valeu!
Leça da Palmeira, 08 de Março de 2014
Luís M. Borges
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