Luís Borges
Bem! Falar de mim é
inapropriado, porque pode fugir-me a caneta para o auto-elogio. É que, nalguns
aspectos, até que posso eventualmente merecer elogiar-me…Contudo, depressa arcaria
com as consequências: seria apelidado de gabarola, de vaidoso, de mentiroso, e
por aí fora… Assim, prefiro muito sinceramente, ser o “parte-canas”. Já irão
perceber porquê.
Neste dia, fiz-me ao
mar de cana, fio e carreto novos. Que vaidoso, a mostrar o material! Esperava
trazer à ré muitos e bons peixes, dotado com estas novas tecnologias.
O Forte não
compareceu, pois a sua prestação é quinzenal. Disseram, que tem de tratar da
quinta. Muito bem, a agricultura está ao nível da pesca. Deveria ter sido
substituído pelo Adérito, mas uma maleita trazida no nariz de Singapura, inviabilizou
a sua participação, pelo que foi o Américo que foi à luta.
Com um mar de 1,2
metros de vaga, vento fraco e temperatura a rondar os 20 º C e céu aberto, a
pescaria prometia, pelo que embarcámos, extremamente confiantes.
Desilusão, o motor do
barco não pegou. “Almas deste e do outro mundo, esqueletos de peixes a boiar,
raios e coriscos, gaivotas cagonas”, irra que o azar caiu-nos em cima. Não
foram estas as palavras, substituí-as…a bem dos bons costumes orais.
Lá se resolveu o
problema, com o terceiro mecânico. O barco ronronou em direcção à vaga, ao bom
fundo, ao reino dos barbatanas. Eram 10h30.
Uma vez ancorados, o
pessimismo baldou-se e foram tantos e tão grandes os peixes capturados, que
receámos a dizimação daquele reino piscícola. Provavelmente, caímos em cima dum
concerto, ou dum comício, ou até de um estádio de futebol, pois foi uma pesca
de arromba. Inolvidável!
Carapau
Entretanto, estalou
qualquer coisa…Não sei o que se passou, mas o certo é que ao guindar 2 sargos
de bom porte, a meia-água, a cana partiu. A minha cana nova da Shimano
SeaMaster, linda de se ver e admirar. Espanto geral, com algum gozo à mistura.
Realmente, senti-me um “parte-canas”.
- E vão duas, disse
eu.
Mas não perdi os
peixes, guindei-os à mão, à boa moda antiga.
No final do desafio,
os cinco magníficos exultavam de orgulho e de vaidade. A pescaria foi muito
boa, sobretudo por causa do gabarito dos exemplares.
Regressámos a cantar
em coro “Quem é o pai da criança”. De vez em quando, lá surgia uma desafinação
(a voz fugia para o arrôto), certamente por causa da rojoada (confeccionada
pelo grande chefe “o parte-canas”).
Leça da Palmeira, 12 de Abril de 2014
Luís M. Borges

Nenhum comentário:
Postar um comentário