domingo, 24 de agosto de 2014

11. Memórias do Alto Mar


FashionOscar
 
1.Elogio do Cheta
Os rojões do Cheta
Vamos lá elogiar desta vez o Cheta. Nos dois últimos capítulos, o Cheta assumiu os papéis de “Arranca-pedras” e de “Pescador-risonho”. Porém, neste dia sabático, o Cheta mudou o Mundo, senão vejamos:
- A maresia passou a cheirar a rojões, a partir do momento em que os ditos foram aquecidos, a fim de suprirem as angústias famélicas dos 5 pescadores alto-marenses;
- O vento parou completamente, quando a tripa enfarinhada surgiu engarfada;
- O Sol abriu-se ainda mais a olhar o redenho e o sangue escuro;
- O mar aquietou-se deveras, a fim de dar condições de estabilidade ao tacho;
- Até as atrevidas gaivotas, se deram ao luxo de se acercar do barco e abordarem um copo de vinho verde.
Não haja dúvidas, aqueles rojões valeram o esquecimento dos maus dias de pesca! Aqui se decreta que o Cheta passa a ser “Cidadão Honorário do Alto Mar”, para que conste, pelos altos e relevantes serviços prestados ao grupo.
2.O dia de pesca
 Marachomba-babosa
O dia de pesca começou com uma poitada no Cais Sul, dada a boa prestação ocorrida na sessão anterior. Contudo, tivemos que passarinhar por vários sítios, até encontrarmos um fundo repleto de jóias escamosas variadas, que começaram a sair em ritmo:
- Belas fanecas, sempre em rodopio ascendente, que esbugalhavam os olhos;
- Choupas robustas de um roxo iridescente, que davam festival de saltos, quando libertadas na caixa;
- Sardas lutadoras e complicativas, que estremeciam em frenesim, depois de desferradas;
- Carapaus com beiçolas frágeis, sempre a caírem à água;
- Sargos de prestígio, que faziam exultarem os autores da captura;
- A arraia-miúda, que chateava, quer fosse ranhosa, cabra, serrano ou boga.
Acabou por ser uma pescaria razoável, num dia francamente fantástico, que só foi estragado por um vento fresco de norte, por volta das 14h30.
3.Curiosidades
 FashionOscar
- Foi pescado, agarrado a uma choupa, um enorme carrapato-do-mar.
- As gaivotas, com uma fome desesperada, chegaram a atacar os peixes dos pescadores, quando estes os içavam da superfície do mar para o barco. Apanhavam o peixe em voo e só largavam o peixe e fugiam quando o pescador com a cana lhes dava uma varada. Nós, apiedados, fornecemos-lhes muito pão, restos dos rojões e o isco sobrante, para as bichinhas saciarem a larica.
- O maior pescador de Bogas-do-mar foi o Óscar.
- O Malheiro, estreou uma cana nova de 4 metros, que teve logo de substituir, dada a sua fraca operacionalidade.
- Foi aprovado o novo “look” do Óscar, denominado “FashionOscar”. Todos apreciaram!
- A dose de piadas às perseguidas redobrou, para deleite dos presentes. As gargalhadas ouviram-se longe…
- Aplicou-se um novo sistema de recolha do lixo a bordo, a fim de não se prejudicar o ambiente marinho. O lixo desaparece por completo. Grande invenção!
Carrapatos-do-mar
Leça da Palmeira, 23 de Agosto de 2014
Luís M. Borges


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