quinta-feira, 7 de agosto de 2014

5. Memórias do Alto Mar



Forte, “cadê” os frangos?
 O Forte
Mar um pouco mexido. Embarcámos 6, pois o Américo aceitou ir pescar para a proa.
Mais uma cabazada de pasmar. Os peixes eram ligeiramente mais pequenos do que na sessão anterior, embora fossem caindo algumas “tábuas”, de vez em quando.
Os carapaus contorciam-se: anafados, compridos e lustrosos. Eu, particularmente, insisti nesta espécie, aplicando um anzol branco e iscando com lula pequena, que o jovem Cheta conseguiu adquirir em Espinho.
Curioso: o Adérito tinha comprado uma cana Shimano igual à minha. Que fez ele, essa alma boa? Emprestou-ma e solicitou-me o seguinte:
- Aperte com ela Borges, pois se partir com aconteceu à sua, remeto-a igualmente ao “Cego” de Valença do Minho. 
 Carapaus sobretudo
Assim fiz, testando a cana até ao extremo das suas possibilidades, dando-lhe mesmo com força, não a poupando a esforços e solicitando mesmo em altos berros:
- Parte cana, parte cana!
A cana não partiu, tendo-se aguentado muito bem.
O Forte ria-se, enquanto o Cheta e o Óscar o demandavam:
- Cadê os frangos Forte?
Foi neste dia a frase mais ouvida, quando a pausa piscatória se instalava na embarcação. Ele, calmo, sorridente, respondia calado. Logo após, ao ter ouvido estas arremetidas, esforçava-se na pesca e logo se apresentava com um ou dois peixes bem medidos, calando deste modo os fariseus.
- Penudos? Não. Escamudos? Sim.
O Forte, é mesmo forte na resposta.
A comezaina constou de umas bifanas apresentadas pelo Cheta. Houve quem desdenhasse. Adivinham quem foi?
Leça da Palmeira, 18 de Abril de 2014
Luís M. Borges

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