Forte, “cadê” os frangos?
O Forte
Mar um pouco mexido.
Embarcámos 6, pois o Américo aceitou ir pescar para a proa.
Mais uma cabazada de
pasmar. Os peixes eram ligeiramente mais pequenos do que na sessão anterior,
embora fossem caindo algumas “tábuas”, de vez em quando.
Os carapaus
contorciam-se: anafados, compridos e lustrosos. Eu, particularmente, insisti
nesta espécie, aplicando um anzol branco e iscando com lula pequena, que o
jovem Cheta conseguiu adquirir em Espinho.
Curioso: o Adérito
tinha comprado uma cana Shimano igual à minha. Que fez ele, essa alma boa?
Emprestou-ma e solicitou-me o seguinte:
- Aperte com ela
Borges, pois se partir com aconteceu à sua, remeto-a igualmente ao “Cego” de
Valença do Minho.
Carapaus sobretudo
Assim fiz, testando a
cana até ao extremo das suas possibilidades, dando-lhe mesmo com força, não a
poupando a esforços e solicitando mesmo em altos berros:
- Parte cana, parte
cana!
A cana não partiu,
tendo-se aguentado muito bem.
O Forte ria-se,
enquanto o Cheta e o Óscar o demandavam:
- Cadê os frangos
Forte?
Foi neste dia a frase
mais ouvida, quando a pausa piscatória se instalava na embarcação. Ele, calmo,
sorridente, respondia calado. Logo após, ao ter ouvido estas arremetidas,
esforçava-se na pesca e logo se apresentava com um ou dois peixes bem medidos,
calando deste modo os fariseus.
- Penudos? Não. Escamudos?
Sim.
O Forte, é mesmo forte
na resposta.
A comezaina constou de
umas bifanas apresentadas pelo Cheta. Houve quem desdenhasse. Adivinham quem
foi?
Leça da Palmeira, 18 de Abril de 2014
Luís M. Borges
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