sexta-feira, 8 de agosto de 2014

7. Memórias do Alto Mar



Cinco piscarretas e 5 fanecas
 Desilusão
O Cheta estava mal disposto, o Óscar cansado, o Américo ausente, o Malheiro paciente e o Borges conformado. O barco não “filava” de modo nenhum, por falta de vento, tornando difícil cair em cima do pesqueiro. O barco rodava e rodava…ao sabor de caprichos estranhos à nossa compreensão. Lá vinham de vez em quando em rodopio uma ou outra faneca. Eu levantava os braços ao céu… a desilusão instalou-se.
- Com estas nortadas, já se sabe, que o peixe não come e rareia pela Galega.
Esta explicação do Cheta adaptava-se bem à realidade. As nortadas violentas das últimas 3 semanas fizeram estragos. O peixe tinha debandado. Para onde? Ninguém sabia.
 Desilusão
Através da rádio, íamos sendo informados, que outras embarcações enfrentavam a mesma situação.
O que salvou o dia foi o abençoado almoço: uma excelente massa de vitela, preparada na véspera pela minha esposa. A massa foi acrescentada no barco. Um verde tinto de Amarante rematou a boa vitela.
Ainda se tentaram mais duas poitadas, a ver o que dava, isto na “Galeguinha” e no “Lugar do Óscar”, mas sem resultados.
 Desilusão
A Marina recebeu-nos às 17h00, com promessa do Cheta de ainda ter tempo para ir festejar o Senhor de Matosinhos, com uma sandes de leitão.
Este fracasso, cá para mim, foi castigo. Do Senhor de Matosinhos.
Imaginem, 5 fanecas, para cinco pescadores. É recorde e mesmo um castigo!
Leça da Palmeira, 10 de Junho de 2014
Luís M. Borges

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