Cinco piscarretas e 5 fanecas
Desilusão
O Cheta estava mal
disposto, o Óscar cansado, o Américo ausente, o Malheiro paciente e o Borges
conformado. O barco não “filava” de modo nenhum, por falta de vento, tornando
difícil cair em cima do pesqueiro. O barco rodava e rodava…ao sabor de
caprichos estranhos à nossa compreensão. Lá vinham de vez em quando em rodopio
uma ou outra faneca. Eu levantava os braços ao céu… a desilusão instalou-se.
- Com estas nortadas,
já se sabe, que o peixe não come e rareia pela Galega.
Esta explicação do
Cheta adaptava-se bem à realidade. As nortadas violentas das últimas 3 semanas
fizeram estragos. O peixe tinha debandado. Para onde? Ninguém sabia.
Desilusão
Através da rádio,
íamos sendo informados, que outras embarcações enfrentavam a mesma situação.
O que salvou o dia foi
o abençoado almoço: uma excelente massa de vitela, preparada na véspera pela minha
esposa. A massa foi acrescentada no barco. Um verde tinto de Amarante rematou a
boa vitela.
Ainda se tentaram mais
duas poitadas, a ver o que dava, isto na “Galeguinha” e no “Lugar do Óscar”,
mas sem resultados.
Desilusão
A Marina recebeu-nos
às 17h00, com promessa do Cheta de ainda ter tempo para ir festejar o Senhor de
Matosinhos, com uma sandes de leitão.
Este fracasso, cá para
mim, foi castigo. Do Senhor de Matosinhos.
Imaginem, 5 fanecas,
para cinco pescadores. É recorde e mesmo um castigo!
Leça da Palmeira, 10 de Junho de 2014
Luís M. Borges
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