quinta-feira, 7 de agosto de 2014

6. Memórias do Alto Mar



Óscar, no apogeu

O Óscar

E esta? Decorreu bem. Quando a ideia seria o peixe começar a rarear, eis que lá iam estrebuchando uns sargos, uma choupas e uns carapaus, para além de outras espécies, consideradas menores.
As primeiras três horas foram de espaçamento nas capturas. Recrudesceu depois do almoço, a partir das 13h30, embora o Cheta peremptória afirmasse, que o peixe só cairia em força depois das 14h30. Contudo, às 15h30 o peixe parou mesmo, pelo que se levantou ferro. Tentámos uma milha para fora, até às 17h30. Foi dar-lhes, o que permitiu encher mais um cabaz.
A equipa neste dia estava constituída em 5 estrelas.
O Cheta teve algumas dificuldades em pescar, porque a água corria com força na minha direcção. Para evitar ensarilhar comigo, pescou muito condicionado. Este altruísmo não me passou despercebido. Grande Cheta.
Os sargos e as choupas eram palmeiros, enquanto os carapaus grandes abundavam. Vinham aos 2 e 3 e muitas vezes escapavam com as beiçolas rebentadas. Os anzóis “maruseigos” desempenharam bem a sua função, sobretudo o primeiro de cima.
 Um ferrari (cabra)
Experimentaram-se iscos diferentes: lula pequena, camarão congelado, sardinha e a usual ameijoa com sal. Para o carapau, resultava melhor a lula. Para os sargos e choupas a ameijoa. Este último reino escamudo deixa-se motivar pelo cheiro activo e a moleza da ameijoa. São sôfregos por este tipo de isco.
O Óscar era o que mais pescava. Usava quase sempre a tecla 3 e em variedade. E exultava, estimulando os colegas com remoques simpáticos. O Óscar tem um estilo diferente dos demais. Reparem bem: utiliza sempre a mesma “vara” (como dizem os brasileiros), aplica iscadas enormes para impressionar os peixes, barafusta quando lhe enredam a retenida, pesca com frequência peixes sobredotados e aos pares, come e bebe só “gourmet” e sobretudo conta histórias e anedotas de embraiagem. O Óscar está no auge da vida. Gosto de o apreciar, pois eu, com quase 7 décadas de existência, apresento-me num estado contrário. Tento, sempre que possível, ultrapassar em esforço a minha natural debilidade, pelo que estes dias de pesca no alto e a alegria com que os vivemos, dão-me saúde.
O dia esteve de praia e calção, a antecipar o desejo de ter Verão e para reforçar, nada como um arroz de cabidela à Óscar – a tal comida gourmet. Venham muitos mais dias como este.
Já na Marina, todos a limparem o barco. É bonito de se ver. Cumpre-se o dever e a obrigação de se preservar o que vale.
Leça da Palmeira, 3 de Maio de 2014
Luís M. Borges

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