Óscar, no apogeu
O Óscar
E esta? Decorreu bem.
Quando a ideia seria o peixe começar a rarear, eis que lá iam estrebuchando uns
sargos, uma choupas e uns carapaus, para além de outras espécies, consideradas
menores.
As primeiras três
horas foram de espaçamento nas capturas. Recrudesceu depois do almoço, a partir
das 13h30, embora o Cheta peremptória afirmasse, que o peixe só cairia em força
depois das 14h30. Contudo, às 15h30 o peixe parou mesmo, pelo que se levantou
ferro. Tentámos uma milha para fora, até às 17h30. Foi dar-lhes, o que permitiu
encher mais um cabaz.
A equipa neste dia
estava constituída em 5 estrelas.
O Cheta teve algumas
dificuldades em pescar, porque a água corria com força na minha direcção. Para
evitar ensarilhar comigo, pescou muito condicionado. Este altruísmo não me
passou despercebido. Grande Cheta.
Os sargos e as choupas
eram palmeiros, enquanto os carapaus grandes abundavam. Vinham aos 2 e 3 e muitas
vezes escapavam com as beiçolas rebentadas. Os anzóis “maruseigos”
desempenharam bem a sua função, sobretudo o primeiro de cima.
Um ferrari (cabra)
Experimentaram-se
iscos diferentes: lula pequena, camarão congelado, sardinha e a usual ameijoa
com sal. Para o carapau, resultava melhor a lula. Para os sargos e choupas a
ameijoa. Este último reino escamudo deixa-se motivar pelo cheiro activo e a
moleza da ameijoa. São sôfregos por este tipo de isco.
O Óscar era o que mais pescava. Usava quase sempre a tecla 3 e em
variedade. E exultava, estimulando os colegas com remoques simpáticos. O Óscar
tem um estilo diferente dos demais. Reparem bem: utiliza sempre a mesma “vara”
(como dizem os brasileiros), aplica iscadas enormes para impressionar os
peixes, barafusta quando lhe enredam a retenida, pesca com frequência peixes
sobredotados e aos pares, come e bebe só “gourmet” e sobretudo conta histórias
e anedotas de embraiagem. O Óscar está no auge da vida. Gosto de o apreciar,
pois eu, com quase 7 décadas de existência, apresento-me num estado contrário.
Tento, sempre que possível, ultrapassar em esforço a minha natural debilidade,
pelo que estes dias de pesca no alto e a alegria com que os vivemos, dão-me
saúde.
O dia esteve de praia
e calção, a antecipar o desejo de ter Verão e para reforçar, nada como um arroz
de cabidela à Óscar – a tal comida gourmet. Venham muitos mais dias como este.
Já na Marina, todos a
limparem o barco. É bonito de se ver. Cumpre-se o dever e a obrigação de se
preservar o que vale.
Leça da Palmeira, 3 de Maio de 2014
Luís M. Borges
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