Às cavalas no molhe
Ansiosos como gaivotas esfaimadas, levantámos voo em direcção ao
molhe, ao encontro das cavalas.
Balde de engodo, bóias vermelhas, sardinha salgada para isco, mar liso
e transparente, riscado de vez em quando por cavalas em cardume.
Lançada a sopa de sardinha moída misturada com areia, logo começam a
excitar-se as tainhas, as viúvas, as agulhas, os sargos e obviamente as nossas
cavalas. O sabor da sardinha a todos acabava por atrair.
Lá mais ao largo passava um cardume enorme, incomodado constantemente
por dois mascatos. Desciam em voo picado com uma velocidade estonteante,
mergulhando na água no meio do cardume e trazendo no bico o seu troféu. Com
estes dois mascatos na admiração, arranco duas viúvas seguidas e depois um sargo.
Logo o Barbosa e o Adérito me imitaram com 3 agulhas.
O sítio onde estávamos a pescar era irregular e até perigoso. Pescar
em cima de pedregulhos por vezes escorregadios, entre buracos negros profundos,
exige cuidados redobrados. Havia que haver muita atenção, pois uma queda neste
encapelado de rochas pontiagudas, provocaria mossas físicas apreciáveis. É
vulgar acontecer, que com a agitação da captura, se tenda a esquecer a
segurança. Conhecedores destes factos, emitíamos alertas constantes uns aos
outros. Felizmente, só aconteceram avisos e muita pesca.
A tarde passou nesta festa entusiasmada de pica e recolhe, de pica e
foge, de pica e embaraça. O ritmo imperou mas não sufocou.
No final, os curiosos a quererem saber, a pretenderem aprender, a
fotografarem, a elogiarem. O costume…
Limpámos o peixe na escadaria destruída, situada a seguir aos desenhos
a preto, de modo a evitar lixos desnecessários em casa e porque o peixe amanhado
com água do mar tem outro sabor. Um balde bem aviado de peixe foi a nossa recompensa.
Deu-nos o mar esta oportunidade…
ILHA, Setembro de 2014
Luís M. Borges
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