PASSEIO ALEGRE
1.Feriado
O feriado aconteceu numa sexta-feira, o que permitiu uma antecipação da sessão de pesca, que habitualmente decorre aos sábados. Obviamente, que também foram tidas em conta as condições favoráveis do estado do mar, pois no sábado não iria acontecer assim, dada a previsão de ventos fortes. Apresentaram-se à chamada quatro de cinco. A baixa do Forte é sempre lamentada por nós e sobretudo por ele, que se entusiasma a pescar. Aquele seu nervo do braço está a portar-se mal. Às 6 horas já circulavam carradas de pescadores pelo passadiço do Marina a fim de aproveitarem a benesse de dia feriado e do bom estado do mar. Havia frenesim no embarcar, o que se compreende.
2. Primeira poitada
Primeiro uns carapaus. Estes seres não nos largam! Foram eles os inauguradores da refrega piscatória. Depois umas bogas, essas inúteis e desprezadas meninas do mar, que se apegaram a nós neste dia. Levavam logo uma surra, no acto de desferrar. Mais tarde umas fanecas amarelinhas, toleradas pela malta, em quantidade suficiente para uma refeição lá em casa. O Cheta sorria… Finalmente, umas belas choupas e uns sargos gordos. Poucos, mas entusiasmantes. Assim se foi fazendo a manhã.
3. Largar cabo
O Malheiro não gosta de inactividade pesqueira. Prefere sempre o muito ao moderado, a mudança à espera. Acha que o “milagre das rosas” acontece largando mais cabo, pensando que os peixinhos lá em baixo têm morada certa e ignorando que é importante “fazer pesqueiro” através da engodagem, o que pode demorar. Num aspecto ele tem razão: podem realmente os peixes não proliferaram por ali. O Cheta acaba sempre por concluir certeiramente: - Se largamos cabo para sítio melhor e por conseguinte sai peixe, “olarilolé”, que foi boa ideia. Se largamos cabo para pior, “chiça caneco”, que foi má decisão. Nas várias propostas do Malheiro de “vou largar cabo”, só uma delas foi efectivamente certeiro: o que deu origem à pesca dos sargos e umas choupas quileiras. OLARILOLÉ.
4. Talharim
O Cheta não apreciou o talharim. Com produção Óscar, o talharim viu o seu estatuto de massa de élite enxovalhado. O raio do talharim teimava em cair do prato. Teimava a não se aguentar no garfo. Houve que dissesse que esta moda do talharim devia ter origem chinesa.
Já o bife grelhado foi muito bem aceite. Eu sugeri que da próxima vez se iria comer sushi de cavala por causa da rejeição do talharim. Os golfinhos, que nadavam por ali certamente ouviram a proposta, pois rodearam-nos de imediato, logo seguidos pelas gaivotas em bando. No final, o VAT69, o paradigma dos deprimidos, fez ultrapassar o imbróglio do talharim e o espectáculo dos cetáceos.
Já o bife grelhado foi muito bem aceite. Eu sugeri que da próxima vez se iria comer sushi de cavala por causa da rejeição do talharim. Os golfinhos, que nadavam por ali certamente ouviram a proposta, pois rodearam-nos de imediato, logo seguidos pelas gaivotas em bando. No final, o VAT69, o paradigma dos deprimidos, fez ultrapassar o imbróglio do talharim e o espectáculo dos cetáceos.
5. Rotina
Pelas 17h00 demos início ao regresso. Às 19h00 entrei em casa, iniciando a rotina do fim de festa: guardar material, separar peixe (para oferecer, congelar e comer); tomar banho; saborear uma sopa e deitar na caminha.
Leça, 05 de Outubro de 2018
Luís M. Borges


Nenhum comentário:
Postar um comentário