Jantar PARTILHA DA AMIZADE
1.Há bacalhau no Rio do Amial
Na zona do Amial corre um Rio, e por estranho que pareça, pesca-se por lá
bacalhau. Este fenómeno, abriu bocas de espanto nos arrabaldes, onde o Mar do
Leixāo bate sempre certinho. Os seus habitantes, sobretudo os pescadores,
incrédulos pois nem sabiam o que era o referido peixe, discutiam amiúde sobre a
própria designação (baccalauren ou kabeljauw?) e perguntavam:
- Que barco pesca esse dito bacalau por ali? Quem é o Mestre?
Respondiam-lhe na dúvida:
- Parece que a embarcação se apelida de “OGRELHAS” e o pescador, dizem,
OSGAR, um normando.
- Temos de ir verificar. Reúne a tribo, fala aos amigos e caminharemos
para lá, num destes dias.
E assim foi.
2. O mistério atrai
Com seus trajes tradicionais, os aventureiros prepararam as cavalgaduras
num fim de tarde, à procura da verdade. Eram uns 12. Porém, suas companheiras
aventureiras, por uma questão de solidariedade e sabendo que ali andava
mistério, fizeram questão de os acompanhar, por entre algazarra. Os homens
acabaram por atrelar os seus burros e cavalos e arrancaram em carroças, a
trotar pelo caminho, ainda amuados com as suas consortes.
3. Uma luz
Procuraram e não procuraram, perguntaram e não perguntaram, até que
decidiram largar as carroças perto de um
lugar de culto. Chegaram-se ao Rio pela margem certa e viram uma fogueira que
iluminava a frente de uma taberna, para onde se dirigiram. Recebeu-os um homem muito
bronzeado, já velho, dos seus 45 ano, que lhes falou assim:
- Disseram -me que vinham aí. Que pretendeis nobres visitantes? E vós
senhoras, que tão bem trajais, porque arrostaram com este frio na noite e por
estes caminhos, cheios de perigos?
Responderam-lhe:
- Tendes Bacalau meu senhor? Ouvimos que o pescais. Donde sois e como vos
chamais?
- Sou normando e a minha graça é OSGAR, um humilde servo ao vosso
dispôr.
- Entrai e sentai-vos, comeinde e bebeinde e não vos preocupeindes.
- Entrai e sentai-vos, comeinde e bebeinde e não vos preocupeindes.
Recepção na Taberna do Osgar
4. Pescadores com boca
Assim fazendo, logo surgiu um rapaz estranho, pintado de preto, a que
chamavam RUI-M. Serviu vinho em canecos, azeitonas e pão. Seguiram -se umas falachas
cobertas com garum, chamadas “pizaras”, que as mulheres adoraram.
- Ó RUI-M, traz o javali, a cabra e a gaivota da brasa. Anda lá servo… vai à cozinha de fora...os
nossos estimados amigos estão com apetite.
A cozinha tradicional, dita de fora
5. O bendito baccalau
- Ó RUI-M, traz agora o baccalau.
Fumegavam nas caçambas de madeira umas postas do peixe desejado, que depressa,
começou a ser saboreado pela turba.
Baccalau com cebola
Perguntou-lhe o grego ADERITTUS:
Perguntou -lhe o latino FOREL:
Perguntou -lhe o castelhano ROLDAN:
Perguntou -lhe o hebraico ADAMAH:
Perguntou -lhe o fenício XETTA?
Perguntou -lhe o hebraico BOAZ:
Perguntou-lhe o inglês PAUIM:
Perguntou-lhe o romano PAVIA:
Perguntou-lhe o macedónio NESTTOR:
Perguntou-lhe o lusitano MARCUS:
Perguntou-lhe o de Saragoça BORJA:
E as perguntas continuaram noite dentro, com o RUI-M a acender mais velas e a avivar o fogo da lareira. Trouxe umas novidades:
- Comeinde agora este bolo belga e este pudim de mel.
Ria-se o jeitoso.
Terminou esta intrigante noitada, com uma bebida quente servida em taças,
também de cor preta. A dama do Borga
pediu cachaça para aclarar aquela bebida amarga e a dama do Xetta cantou uma
ária - um Fadado.
Por último, o Osgar agradeceu a visita e o Borja a receptividade e as
informações sobre o baccalau.
O fogoso Marcus falou sobre Água e sobre Merda (esta a mais) nas águas do Mar do
Porto. Entregou um pergaminho de papiro a cada companheiro.
6. As alcoviteiras
Este jantar chegou aos ouvidos de Viriato, um chefe lusitano do interior
montanhoso. As alcoviteiras (As jornalistas da época) tinham-se encarregado de
transmitir o evento. Falaram-lhe de AMIZADE e de PARTILHA.
- Como? Que é isso?
Logo Viriato reuniu as tropas e procurou o atuneiro Marcus, a querer
saber, pois poderiam ser romanos a engendrarem astúcia.
Ficou esclarecido:
- Pesca-se bom baccalau no mar ao largo do Amial.
- Nasceu uma palavra nova – AMIZADE.
- Acrescentou-se, por imposição do filósofo Aristóbulo, a palavra
PARTILHA.
O certo, é que este conjunto de pescadores e respectivas damas, acabaram
por criar o melhor presente que existe: partilhar amizade.
Ainda hoje não se sabe se esta invenção fez caminho. O baccalau
fez.
Taberna do ÓSGAR, aos 25 dias do
sagrado mês de Novembro, do ano 147 AC (actualmente 25 de Novembro de 2017).
O escriba, Borja de Saragoça
(actualmente Luís M. Borges).




















Excelente comentário. Melhor que ler Camões. Parabéns grande "escriba". Um grande abraço do romano
ResponderExcluirPavia