sexta-feira, 4 de setembro de 2015

47. MEMÓRIAS DO ALTO MAR

Superlua


O Malheiro acredita, que existe uma influência no comportamento dos seres vivos, provocada pela conjugação dos astros. Ora, justamente nesta data de 29 de Agosto de 2015, sábado, estava a acontecer um fenómeno astral designado por SuperLua. Li algures, que a cultura associa este tipo de eventos a desastres naturais, como sejam sismos, vulcões e tempestades.

Mas, obviamente, que existem outras explicações, uma delas totalmente contrária, assumida por uma astróloga denominada Rosita Iguana (http://rositaiguana.com), que intitula este fenómeno de “Uma Super Lua cheia em Peixes”. Admite mesmo, que esta Lua em Peixes nos conduz a um estado alterado de consciência e nos eleva para além do real. Fantasia ou realidade?
Pois bem, o Malheiro vaticinava, que neste sábado a pesca iria ser fraquíssima, justamente por influência da SuperLua
Enganou-se. O Malheiro apostou na teoria errada. A pescaria, não tendo sido daquelas de pasmar, acabou por ser razoável: deu 4 em 5, quer dizer, quatro caixas de peixe para cinco pescadores.

Porém, por estranheza assim considerada, aconteceram algumas bizarrias, das quais se realçam as mais significativas:
- Avaria no para-brisas do barco, o que dificultou sobremaneira a navegação, dado o nevoeiro cerrado, que se tinha abatido no mar;
- Um mar demasiado sereno, completamente liso, provavelmente assustado com aquela enorme Lua, que ameaçava cair-lhe em cima;
- Uma abundância anormal de “Serranos”, a irritarem os pescadores exigentes do Fosmar;
- “Bodiões-reticulados” enormes, a questionarem a combatividade dos sargos;


- Um reforço alimentar (às 09h30) demasiado impróprio por exagero de sofisticação: ovinhos cozidos de codorniz com molho rosa, espetados em palitos coloridos;

- A descoberta de um amante do basquetebol americano, fã da NBS, vestido a rigor: camisola caviada azul. Por acaso o Cheta teria sofrido a Influência Lunar?
- O Óscar em jeito de “entreteiner”, a insistir constantemente, que não se esquecessem dos rabos… dos peixes, claro!
- O Borges, demasiado agarrado à sua máquina fotográfica, fixando a realidade diversa da vida embarcada (até fotografou botas), esquecendo vezes sem conta e lamentavelmente a cana no descanso, com peixe a debater-se lá no fundo.

Enfim, só faltou um lobisomem, para extravasar na ficção, o rescaldo dos peixes com olhos espantados. 
Ainda bem, que a SuperLua nos obrigou a superarmos neste dia a nossa mediania e a darmos alguma atenção à grandeza e exuberância dos dois planetas, dos quais dependemos.
Leça, 29 de Agosto de 2015
Luís M. Borges

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