terça-feira, 18 de agosto de 2015

45. MEMÓRIAS DO ALTO MAR



Férias, vacances

 Óscar com goraz
 
Pois foi. Um dia especial, de grande alegria e exuberância: o nosso companheiro de armas, dando jus à sua fama de pescador de peixes graúdos, conseguiu capturar com uma mestria exemplar, um goraz com o peso de 4,258 kg usando um fio 0,235 da Seaguar. Trata-se de um recorde nacional, segundo as regras da EFSA, pelo que merece ser registado. Parabéns Óscar. Sou uma das 4 testemunhas presenciais do feito.
É claro, que com uma presa deste calibre, os restantes companheiros do Óscar viram imediatamente reduzidos à ínfima insignificância os seus pargos, sargos e choupas quileiras.
- Peixinhos, diria o Malheiro.
Forte e Cheta

Mudando de assunto, tenho de confessar, que neste dia pairava no barco um certo clima. De férias. Sobretudo ajudado pelo tempo e pelas condições do mar, bem como e essencialmente pela ausência de dois titulares da equipa - o Cheta e o Forte.
Quanto ao Cheta, sei que está mesmo de férias, mas sem estar de férias. Como é isto? A família tem uma força e uma persuasão notáveis. A mim este ano também já me aconteceu durante 15 dias, a levar a mulher e a mãe a banhos...elas convenceram-me, impondo-me, dizendo que mereciam!
Sobre o Forte não sei...mas gostaria que ele nos desse mais atenção, pois o melhor pescador do barco não deve nem pode fazer férias duas vezes por mês, alternadamente. A equipa acaba por perder consistência e acabamos por ficar doidinhos de saudades dele. Bem, cada um sabe de si e há que respeitar a condição, de se poder viver de acordo com as suas prerrogativas.
Já o Óscar baralhou-me um pouco. Referiu que já estava de férias, mas uma hora depois confidenciou-me, que na segunda ainda teria de ir trabalhar! Agosto, que deve o seu nome ao primeiro imperador romano César Augusto, tem a característica de enfermar os espíritos de que tudo gira à volta das vacances. Isto é como uma linha entrançada, difícil de destrinçar. 


Mudemos de rumo e falemos de pesca - a salientar - os peixes estavam endiabrados. Sargos e choupas difíceis de tirar, senhoras fanecas, pargos de três palmos, muitas bocarras de carapau, mais os contrapesos do costume (serranos, ruivos e cavalas) a atrapalharem e a envergonharem os pescadores. Designações como cagalhões chumbados, ferraris, putas, respectivamente, ilustravam os intervalos das capturas desejadas.
Diga-se porém, que houve dois pescadores que no início da pesca, patinaram em gelo fino: o Américo e o Lamas. O primeiro, atacado violentamente por um "engasgue de pipa", aquela doença sabem, a que o estômago sempre abagaçado, dá origem. Uma garrafinha de Pedras Salgadas limpou-lhe o casco. Redimiu-se, dando mais tarde uma excelente prestação sargalheira. O segundo, em sintonia com uma iniciação nas lides da pesca, apresentou-se a pescar com uma cana de quase 5 metros de comprimento, mais própria para a bóia, que lhe trouxe dissabores e ineficácia. Mas aguentou-se, dada a doçura do mar, o apoio simpático do Óscar, o risinho sarcástico e mordaz do Borges, a indiferença solene do Malheiro, o pigarro do Américo e o facto deste dia ser feriado obrigatório: Assunção de Nossa Senhora.

Pois bem, na continuação desta arenga, refira-se que o "mata-bicho" foi salsichão francês, em mulete vendido pela melhor padeira de Portugal. As minis molharam o bico. Umas três horas mais tarde, com eles a dar, o Lamas distribuiu paio alentejano e broa de Avintes como aperitivo, a que se seguiu um exemplar arroz de feijão vermelho com pataniscas especiais, promovidos pelo Malheiro. Este Malheiro tem dedo!
Soube bem, num dia azulado pelo mar a bater vaga longa, numa soleirada tapada a nevoeiro alto e com um vento esquecido lá nas origens, bater o garfo na patanisca e os lábios na borda da caneca fresquinha com vinho verde branco. Há arte no barco, não haja dúvida.
Marina de Leça da Palmeira, 15 de Agosto de 2015
Luís M. Borges

Nota: Foi assim, que o meu amigo José Marques, que evidencio na foto anexa, comentou a penúltima postagem deste Blogue. Decidi salientar esta sua original interpelação, porque a achei escrita num português moderno, avesso a qualquer acordo ortográfico, de uma ironia bem conjugada e divertida. Fiquei grato...

 José Marques

Foi assim, que o José Marques apreciou a pesca efectuada por nós, no dia 1 de Agosto:
"Abraco aos amigos
E so jajao
Feneques raio
Nao tem peixe esse mar?
Xcoracao
Jm"
Considerei, que o nosso comum amigo JM merecia uma resposta simpática da minha parte, pelo que decidi apresentar-lhe a seguinte anedota, que me foi enviada pelo Tonho Cabra (foto anexa), a qual mereceu a aprovação do Macaco Mais Sexy da Amazónia, o Passos Conho (foto anexa).

Tonho Cabra

"Duas amigas tomam banho juntas.
Uma pergunta:
- Não tens pêlos na prexeca?
A outra responde:
- Alguma vez já viste capim numa estrada movimentada?"

Passos Conho

X coração

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