terça-feira, 11 de setembro de 2018

111. MEMÓRIAS DO ALTO MAR



“APESAR DOS APESARES”…*


Apesar dos apesares


Neste sábado, pesquei em várias realidades, porque não fomos à pesca. Com um mar de aquário e condições meteorológicas difíceis de igualar, NÃO FOMOS À PESCA.

Mesmo assim decidi ir pescar, mas em várias realidades.




1.Realidade inventada




Com que prazer observar fotografias de enormes peixes, nos mais variados mares: peixes-vela, atuns…

Não me interessou, se foi verdade que eu os pesquei, preferindo a fábula de os ter pescado. O meu interesse era inventar - que pesquei enormes peixes - e sentir aquela paixão…


E continuei…



2. Realidade aumentada



Aumentei o tamanho dos peixes, ampliei os pormenores, a força destes monstros, como fez Hemingway no seu célebre livro “O homem e o mar”. Pequenos detalhes passaram a ser grandes pormenores.

Senti-me bem, senti-me mais pescador, senti mais o mar.

Depois…



3. Realidade mediática



Necessitei de imaginar as notícias nos jornais, as reportagens nas TVs, as entrevistas, a fama…por ter conseguido pescar tão grandes peixes.


E ainda…



4. Realidade virtual



Utilizando a tecnologia, peguei nos meus óculos de realidade virtual, criei um mundo da pesca visual imaginário, com as minhas próprias leis e normas. Que óptimo! Passei horas a deleitar-me.

Porém…


5. Realidade física e objectiva


A única realidade, que não ignorei…


Acordei para o mundo autêntico, aquele que os nossos sentidos verdadeiramente apreendem, sem qualquer tipo de artifício.

Menorizei esta realidade. Não lhe liguei. Sabem porquê? Porque não fui realmente pescar neste dia excepcional.


E vinguei-me...


*Esta calinada foi proferida por Sofia Ribeiro. Achei interessante.


Senhora da Hora, 08 de Agosto de 2018

Luís M. Borges

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