quinta-feira, 22 de junho de 2017

87. MEMÓRIAS DO ALTO MAR



Dia de Santo António

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1.Sou pessimista
Costumo geralmente julgar pela negativa. Acho que o mundo e a vida tendem para o equilíbrio numa luta permanente com o desequilíbrio. Às vezes concluo, que o universo é de uma imperfeição total, pelo que acabamos por viver num mundo caótico. Nesta perspectiva, a vida é injusta e não tem propósito. Schopenhauer assim o escreveu, pois foi o maior pessimista de todos os tempos…
Podem crer, não vivo em depressão, mas assusto-me amiúde, pois penso que em determinadas circunstâncias anormais, as coisas poderão correr mal.

2. O bom-senso e o pessimismo
Foi esta saída aos gorazes, efectuada às 06h00, que nos colocou perante uma situação invulgar: uma nevoeirada alta; em cima de nós uma tremenda trovoada; relâmpagos a riscarem o céu; vento a soprar em rajadas fortes; chuva e até granizo a baterem; uma ondulação a crescer…. Perante esta cena  logo entrou em mim o pessimismo!

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Com debate, depressa se concertou a melhor e a mais segura atitude a tomar: dar meia volta e regressar à Marina.
Quando o bom senso manda, o pessimismo vem sempre no princípio, nunca no fim.
Assim, prefiro ser pessimista no começo (quando ainda nada aconteceu), do que no final (já com o desastre acontecido). É neste último que aparece a lamentação…

3. Bolinhas vermelhas e frango assado
Há muito tempo que tínhamos um problema relacionado com bolinhas. Bolinhas vermelhas. Bolinhas furadas de silicone.
É que interrogámos dezenas de comerciantes de artigos de pesca à procura destes pequenos mas importantes protectores das anilhas das ponteiras das canas e as respostas eram sempre as mesmas:
- Não tenho. Já tive. Já não se fabrica.


E na senda das bolinhas fomos ao Freixo, à Fishisco e depois a Rio Tinto, à MarPêche. Neste último, encontrámos o simpático e afável Ferreira Martins, que nos apresentou o produto requerido em quantidades industriais. Quem porfia sempre encontra.
Primeiro problema resolvido.
Como estávamos já nas 11h30, as cabeças e os estômagos conjugaram ideias:
- Vamos comer à Marina no barco a jardineira do Cheta ou preferimos almoçar por aqui numa churrascaria de Rio Tinto um franguinho?
Ganhou o aviário.

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Que malfadado almoço. Aquele frango assado, se fosse palha, os burros talvez se atrevessem a comer de faca e garfo.

4. Passámos ao lado dos peixes
Ao menos, nenhum goraz foi ferido, nesta fracassada pescaria. O perfume da memória obrigou-nos a formular desejos, na esperança de que o mar nos recompensasse, muito em breve.


Mais, o Malheiro irá pescar o bom congro; o Óscar o seu mediático pargo; o Forte assumirá mais uns elogiados gorazes; o Cheta rezará o peixe dele de cada dia, nem que seja um polvo; o Borges situar-se-á no outro lado do sonho, pesando corações de peixe e razões.

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Obviamente, neste dia passamos mesmo ao lado dos peixes, concretamente dos gorazes.

Leça, 13 de Junho de 2017
Luis M. Borges

Obs: Imagens retiradas do Instagran (1,2,3,4)

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