Dia de Santo António
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1.Sou pessimista
Costumo geralmente
julgar pela negativa. Acho que o mundo e a vida tendem para o equilíbrio numa
luta permanente com o desequilíbrio. Às vezes concluo, que o universo é de uma
imperfeição total, pelo que acabamos por viver num mundo caótico. Nesta
perspectiva, a vida é injusta e não tem propósito. Schopenhauer assim o
escreveu, pois foi o maior pessimista de todos os tempos…
Podem crer, não vivo
em depressão, mas assusto-me amiúde, pois penso que em determinadas
circunstâncias anormais, as coisas poderão correr mal.
2. O bom-senso e o pessimismo
Foi esta saída aos
gorazes, efectuada às 06h00, que nos colocou perante uma situação invulgar: uma
nevoeirada alta; em cima de nós uma tremenda trovoada; relâmpagos a riscarem o
céu; vento a soprar em rajadas fortes; chuva e até granizo a baterem; uma
ondulação a crescer…. Perante esta cena
logo entrou em mim o pessimismo!
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Com debate, depressa
se concertou a melhor e a mais segura atitude a tomar: dar meia volta e
regressar à Marina.
Quando o bom senso
manda, o pessimismo vem sempre no princípio, nunca no fim.
Assim, prefiro ser
pessimista no começo (quando ainda nada aconteceu), do que no final (já com o
desastre acontecido). É neste último que aparece a lamentação…
3. Bolinhas vermelhas e frango assado
Há muito tempo que
tínhamos um problema relacionado com bolinhas. Bolinhas vermelhas. Bolinhas
furadas de silicone.
É que interrogámos
dezenas de comerciantes de artigos de pesca à procura destes pequenos mas
importantes protectores das anilhas das ponteiras das canas e as respostas eram
sempre as mesmas:
- Não tenho. Já tive.
Já não se fabrica.
E na senda das
bolinhas fomos ao Freixo, à Fishisco e depois a Rio Tinto, à MarPêche. Neste
último, encontrámos o simpático e afável Ferreira Martins, que nos apresentou o
produto requerido em quantidades industriais. Quem porfia sempre encontra.
Primeiro problema
resolvido.
Como estávamos já nas
11h30, as cabeças e os estômagos conjugaram ideias:
- Vamos comer à Marina
no barco a jardineira do Cheta ou preferimos almoçar por aqui numa churrascaria
de Rio Tinto um franguinho?
Ganhou o aviário.
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Que malfadado almoço.
Aquele frango assado, se fosse palha, os burros talvez se atrevessem a comer de
faca e garfo.
4. Passámos ao lado dos peixes
Ao menos, nenhum goraz
foi ferido, nesta fracassada pescaria. O perfume da memória obrigou-nos a
formular desejos, na esperança de que o mar nos recompensasse, muito em breve.
Mais, o Malheiro irá
pescar o bom congro; o Óscar o seu mediático pargo; o Forte assumirá mais uns elogiados
gorazes; o Cheta rezará o peixe dele de cada dia, nem que seja um polvo; o
Borges situar-se-á no outro lado do sonho, pesando corações de peixe e razões.
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Obviamente, neste dia
passamos mesmo ao lado dos peixes, concretamente dos gorazes.
Leça, 13 de Junho de 2017
Luis M. Borges
Obs: Imagens retiradas do Instagran (1,2,3,4)




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