ILHA DO FAROL 2015
Em cima do ruído dos afazeres diários e do entulho,
que nos vergam permanentemente, eis que vem a boa notícia:
- Borges, dia
19 de Setembro. Podem vir para a Ilha. Informe o Barbosa.
Deixei imediatamente de ouvir a barulheira da rotina
da vida, endireitei a coluna, sacudi o lixo das coisas e telefonei. O Barbosa
quis encontrar-se comigo na Estação de S. Bento, a fim de analisarmos horários
e comprarmos bilhetes. Combinámos estratégias de simplicidade quanto a bagagem;
falámos de pesca e de petiscos; fugiram-nos os olhos para umas jovens turistas
inglesas, na lembrança da cuequinha; decidimos ir tomar uma bebida no tasco
típico da esquina, logo ali e despedimo-nos bem-humorados.
Assim começou a nossa terapêutica anual. Nada se
compara a uma ilha, que é um pedaço de terra rodeada de água por todos os lados
(como bem sabem). As incomodações da vida, para lá chegarem, têm de ir a nado!
Para suporte desta fuga, decidi adquirir um novo TAB,
aquele aparelho umbilical, sobre o qual se debruça a história recente da
humanidade. É um aparelho afilhado da escova de dentes – limpa a cabeça! Também
tinha um “WindowsPhone”, pois dado o isolamento haveria que contactar, quer a
família (a dizer “está tudo bem”) e
os poucos amigos que me restam (a perguntar “está
tudo bem?”). Os amigos são como a nossa saúde – cada vez há menos!
Para empolgar, comecei a preparar a mala, na ânsia
prévia do que iria acontecer …é que assim já me encontrava um bocado na Ilha e
no mar, no molhe e na ria, no meio de canas e carretos, de anzóis e de peixes,
de iscos, com o Adérito, o Barbosa e os nossos amigos. As sandálias, o calção
de banho, a tshirt, o boné, um livro, a máquina fotográfica, o presunto – mimo
fundamental – não podiam faltar!
No dia aprazado, o trem levou-nos até Olhão (sempre
achei este nome curioso), numas boas seis horas. Depois, o carrego até ao barco
da carreira. A travessia. O Farol. O Adérito. A casa e o desembrulhanço da
carga…e logo se começou a combinar a pescaria do dia…logo…
Fiz uma promessa: nestes poucos dias teria ao máximo
de viver, pensar, olhar, como
recomenda a escritora norte americana SIRI HUSTVEDT – “Living, thinking,
Looking”.
E será que vivi? Que pensei? Que olhei?
O prazer de esperar… De dar mais atenção aos
pormenores… de observar com insistência e registar para não esquecer.
Reparei, que este ano amadureci (coisa estranha na
minha idade). Aos 70 anos? Ou será comodismo? Ou será exaustão física?
Estas revelações ocorreram, quando me iniciei no molhe
na pesca às douradas. Sempre abominei a pesca de espera, ou seja, lançar e
esperar. Não sou um pescador paciente, mas empolgado. Chamáva-lhe a pesca do
malandro. Erro meu.
Pica-del-rei
2º SER PADRINHO DE UM PEIXE
A Judia (Coris julis), apelidada
vulgarmente de Dentilha, Júlia, Lambaz, Peixe-piça, Piça e Pica-del-rei,
sempre me encantou. É um peixinho muito irreverente, escorregadio e de uma
extrema beleza. Só cai na esparrela do pescador, se este utilizar material muito
fino, pequenos pedaços de um qualquer isco branco e resistente e uma boia de 1
gr. Mesmo assim, com os seus dentinhos pontiagudos, consegue quase sempre
retirar do pequeno anzol o pedacito de lula. Quando tal não acontece e uma vez
preso, ele aí vem a lutar, a escorregar da mão do pescador e até a saltar do
balde com água, regressando deste modo ao seu ambiente natural. Em pouco tempo
pesquei um deles, isto logo no dia de chegada à Ilha., Limitei-me a
fotografá-lo e a atirá-lo ao mar ainda com vida, a um batimento cardíaco da
morte.
- Não haja
dúvida: este peixe vai dominar o mundo!
Bem, perante esta tirada de gratidão e justíssima ao
peixinho, acabei por cerimoniar-lhe um apadrinhamento. Sou padrinho do
Pica-del-rei. O meu Blogue deve-lhe o nome. Foi assim feita justiça.
Perante os olhares trocistas do Adérito e do Barbosa,
acabei por me integrar nas lides. Os peixes grandes recearam! Tínhamos connosco
os anzóis da super eficácia; tínhamos os “casulos” da irresistibilidade;
tínhamos ainda os fios, os carretos e as canas da infalibilidade e tínhamo-nos
a nós para concretizarmos o possível, mesmo que fosse impossível.
Adérito Alves
3º PERSISTÊNCIA
Mas, aprendi ainda mais. Aprendi com o Adérito.
Admirei a sua persistência.
Às 6 da manhã, partia o Adérito para o molhe, arrastando
o seu carro de rodinhas carregado de canas, material e arca, tudo bem amarrado
com fita adesiva. Costumava àquela hora ir spinningar, à caça das anchovas, dos
robalos e das bailas. Sabia que o amanhecer é sempre propício e também sabia
que a coincidência de uma boa maré com o alvorecer é a ideal. Lograva quase
sempre prender vários exemplares com a sua famosa “amostra assassina”. Em meia
hora era o “mata-mata”. Ele lançava, recolhia, mudava de cor de amostra, corria
o molhe, sempre a persistir. Esta persistência orientava-o para estes itens,
conseguindo assim ter mais êxito que a grande maioria dos seus colegas
spinadores.
Adérito e um senhor Robalo
Depois diziam: - Não há
peixe; ou rediziam: - Há pouco peixe;
ou concluíam: - Vou-me embora, não vale a
pena; enquanto o Adérito lá continuava a trabalhar, a insistir, a dar à
manivela em cima dos pés de galinha. Era rápido a tomar decisões, não se
acomodava, estava atento aos sinais e tinha muita confiança em si. O êxito
batia-lhe na cana. Só havia no molhe outro pescador igual a ele: o Engº, o qual
inclusive arriscava às corvinas. Para o efeito gastava horas a observar e a
registar os momentos de ataque das corvinas às tainhas, acabando assim por atuar
sempre em conformidade. Quando algumas destas grandonas decidia ir-lhe à amostra,
a luta era extraordinária de se ver. Ganhavam quase sempre as fortalhotas
corvinas. Quando, uma vez ou outra, conseguia capturar o troféu, os pescadores
acomodados lançavam sempre a mesma ironia:
- Que sorte!
Pois, a sorte faz-se trabalhando muito. Já alguém referiu
que o génio é o resultado de muito trabalho e persistência.
Sargos e dobradas
4º QUASE
MIGRANTES
Fiquei admirado. Como é que um romeno conseguia pescar
mais peixe, que todos os outros pescadores somados. No molhe, quando pescava 10
kg de peixe, afirmava que a pesca tinha sido fraca. Ele tinha só um objectivo,
que era pescar muito e fazer dinheiro. Tinha uma família para alimentar, dado
que empregos nem vê-los.
E a lei? A fome não é compatível com a lei.
Obviamente, na minha perspectiva.
A técnica dele baseava-se no conhecimento: sabia de
cor a geografia do fundo da ria (onde se encontravam as pedras grandes, os
fundões), a profundidade, as melhores horas das marés, o tipo de maré mais
favorável, os hábitos alimentares dos peixes, os melhores iscos, etc. Ou seja,
sabia mais que os seus colegas…e quando se sabe, aplicam-se as melhores
técnicas de captura. Ele inventou, penso, uma ou duas técnicas destinadas a
pescar os grandes sargos acoitados no fundo. Para além de pescar forte e grosso
(bóias de correr de 40/50 gr; altura da bóia até aos 12 metros; anzóis grandes
e fortes (1/0 até ao 3/0); fios nos estralhos 0,40/0,50 e no carreto 0,70;
canas super resistentes e carretos fiáveis e rápidos) a novidade ou o segredo
encontrava-se no isco e na forma de o iscar. Aplicava em cada anzol 30 ou 40
camarinhas vivas, amarradas com fio de silicone. Os sargos e os robalos grandes
eram clientes certos, quase sempre.
Soberbo – a inovação vinda de leste. A inteligência
prática de um romeno, a ensinar aos velhos pescadores do molhe, como se pesca a
sério. Faço uma vénia a este pescador e deito para trás das costas a costumeira
inveja portuguesa. Deixem o Jorge pescar! Podem é aprender com ele.
Barbosa
5º BARBOSA
“KAI AKI””
No comer bem é que está o ganho. Honra seja feita ao
nosso Barbosa, que aprimorou no goto as moelas com presunto e enalteceu no
paladar as qualidades do vinho tinto alentejano.
O horário de trabalho do Barbosa era a dois tempos,
tal como certos motores: a meio da manhã bulia-lhe o almoço no desejo e a meio
da tarde descompensava o jantar a fazer saborosas sopas.
Mesa posta, atendendo ao apoio necessário à salvação
litúrgica de comer e o Barbosa a abrir a panela fumegante, para que cada um
pegasse na concha.
- Barbosa,
que sabor é este?
- “Cai aqui”
bem a hortelã…
- Barbosa,
que odor é este?
- “Cai aqui”
bem o pimentão…
Foram 10 dias de “KaiAki”, com mestre Barbosa a editar
refeições únicas, que nem o Restaurante “À do João” conseguiria. Estas
refeições caíram delicadamente nos nossos estômagos e foram digeridas, mas
ficarão para sempre na nossa memória.
Duas observações: Também acrescentei valor às refeições
do Barbosa – saladas multicoloridas e variadas – excelentes complementos
alimentares; o Adérito mexeu poucas vezes com a colher de pau. Eu e o Barbosa
não o permitimos.
Praia suja
6. PRAIA
SUJA
Foi a 1ª vez em 30 anos de Ilha, que não vesti os meus
calções de banho para mergulhar nas águas tépidas e cristalinas da Ilha do
Farol.
Sabem o que é a merdice? Sabem o que a merdice provoca
na água? Sabem a que cheira esta merdice? Pois foi. Estragaram a praia conspurcando-a
com lamas tóxicas da ria, carregadas de metais pesados, componentes químicos e
obviamente de dejetos humanos. Depois foram colocando por cima areia branca
retirada da própria ilha, a fim de taparem os olhos às pessoas e calarem as
bocas. Contudo, as espertices ditas inteligentes depressa se desmascaram através
dos próprios meios. As marés vivas e a ondulação forte fizeram desaparecer a
areia e a merdice, pelo que água cristalina e azul virou para uma água nojenta
acastanhada e mal cheirosa.
Perguntámos: - Porque
fizeram isto? Responderam: - Tínhamos
de gastar a verba, dragar os canais da ria e acrescentar areia à praia do Farol.
Repliquei: - Podiam ter gastado a verba, dragando
os canais, mas despejando no alto mar as lamas; podiam ter reforçado o areal da
praia principal, com areia da própria ilha doutro local, onde ela fosse
abundante.
Assim, no primeiro caso, pouparam as viagens de alto
mar, obtendo assim mais lucro. Estragaram as férias de muita gente; cagaram
para os habitantes locais; não se importaram com os impactos ambientais, em
suma estiveram-se a borrifar.
E ainda há gente que defende esta atrocidade. Há ânus
mais limpos do que certas bocas!
Isco: "Salsicha"
7. O
CASAMENTO
Não teria imaginado um casamente, para mais de ingleses,
na Ilha, no restaurante “À do João”. Aquelas loiraças, velhas, de meia idade e
novas, olhavam-se apreciando. As mais velhas a recordarem; as de meia-idade a
ver se ainda aproveitavam; as novas a embebedarem-se em alta voz. Os homens
ingleses providenciavam mais que atenções às damas: os mais velhos exagerando
nas atenções; os de meia-idade avaliando as possibilidades; os novos a
embebedarem-se, falando alto e grosso.
O menu pareceu-me que foi requintado, não faltando
sequer as batatas fritas à inglesa.
Está de parabéns o Rui. Iniciou-se na rota dos
restaurantes portugueses com nome internacional, que fazem gala da sua excelente
localização, boa mesa e organização. A bem da Ilha do Farol.
Sargo-veado
8. ACIDENTES
INTERESSANTES
Há horas nos dias que revelam crispações. São
desconsolos, que passam depressa.
O primeiro acidente interessante passou-se com o
Barbosa. Perdeu os “ralos” comprados na casa de pesca de Olhão, que o Adérito
nos tinha encomendado. Estes ralos, são os melhores iscos que existem, pois são
chamas que atraem os peixes ao anzol. Na pressa de apanharmos o barco da carreira
para a Ilha que partia às 15h00, o saco abriu-se e lá se foram os ralos. Foram
passear 50 ralos, salvaram-se 50 sargos. Eu ri-me, o Barbosa não gostou.
O segundo acidente foi protagonizado pelo Adérito. As
boas vindas que ele nos deu ao desembarcarmos na doca da Ilha foi: - Fugiu-me um sargo-veado de mais de 2kg.
Exaltado, só lhe faltou contar a história do gato perfeito.
No dia seguinte já se tinha acomodado e considerou que
não há gatos perfeitos.
O terceiro acidente foi protagonizado por mim. Dois
peixes-aranhas. Aqueles peixes que domesticaram as enzimas. Não me piquei na
célebre barbatana preta e pontiaguda dorsal. Não. Foi na espinha da coluna
vertebral. Menorizei por duas vezes a capacidade do peixe, pois a sua espinha,
acabei de sabê-lo por experiência própria, também contem o veneno. Incharam-me
as mãos, doeram-me a bom doer durante umas horas. O pior foi o meu desprendimento.
Dois dias depois, repeti, incauto, a limpeza do peixe, ferindo-me na referida
espinha mais uma vez. Não deu para morrer, apenas para sofrer. Considero, que
este acidente não foi interessante, embora o Barbosa e Adérito tivessem
injuriado o peixe, em jeito de consideração.
O quarto acidente foi efetivado na grelha. Estava o
Barbosa já com o carvão no ponto, quando pediu os sargos. Eu não os tinha
arranjado, por manifesta falta de tempo, pelo que sugeri que fossem grelhados
tal e qual (com tripas e escamas). Reforcei com a informação que já tinha
comido o sargo assim assado e que muitos dos locais o faziam sempre, tal como
se faz com a sardinha. O Adérito concordou. O Barbosa nem por isso…
Resultado: os peixes chegaram à mesa quase crus, com a
desculpa de que “sushi” é bom. As escamas teriam de queimar, para que a carne
interior podesse ficar bem assada. Eu não me lembrei deste facto, pelo que não
avisei. O Barbosa ficou escamado…
Foi este o último acidente interessante. Houve mais,
mas tão insignificantes, que não mereceram a reverência deste escriba.
Bonitos e judeus
9. SARRAJÕES,
BONITOS E JUDEUS
Nós fatigámos o mar com o olhar e as amostras.
Cansámos o barco às voltas e contra-voltas. Desprezámos as canas e as amostras,
as primeiras por não terem cantado e as segundas pela incúria. Nós, enrolámos e
desenrolámos vezes sem conta os fios dos carretos.
Isto aconteceu no Concurso de Pesca aos Tunídeos,
organizado pelo GNO no dia 27 de Setembro.
No barco concorria uma equipa de amigos: o Amadeu, o Bomba e eu. Regressámos ao Clube com zero atuns.
Amadeu, Borges, Bomba
No acto de entrega do pescado e pesagem do mesmo,
sobre nós recaíram olhares admirados, pela ineficácia. As restantes equipas
todas pontuaram, algumas com excelentes pescarias.
Contudo, independentemente deste facto negativo, o
positivo foi registar que onde está a vida, renova-se a vida pelo encontro.
Justamente com o Bomba e o Amadeu. Velhos amigos e sinceros. Alegrias
conjugadas. Tantas histórias comuns.
Enquanto escrevo estas linhas, o mar já está distante,
mas eu ainda estou no momento. Os reencontros são como contar estrelas.
Gostamos sempre.
O molhe
10.
PROTAGONISTAS: PEIXES E PESCADORES
No molhe da Ilha do Farol caminhamos cedo, eu e o
Adérito. Estes dias de Outono estão mais frescos, bons para passear com as
canas na mão. Vestimos de verde, temos bonés na cabeça e olhamos languidamente
para o mar. E pensamos, pensamos sempre nos peixes.
Este molhe é uma grande e comprida avenida, ladeada de
água e de peixes, de “pés-de-galinha” e de pescadores. Esta avenida tem um
trânsito incrível, mais nas horas de ponta de chegada e partida dos barcos da
carreira e menos nos melhores momentos de pesca. Passam carrinhos de mão em
fila, apressados. Querem ocupar os melhores pesqueiros.
A comunidade escamosa colabora quase sempre, premiando
estes esforçados pescadores. Saem robalos, bailas e sargos (a elite); saem fugazes anchovas
e enérgicas corvinas (os pesos pesados);
saem pachorrentas tainhas e manhosas dobradas (a plebe); saem cavalas, que vêm no veludo do mar (as ignoradas); saem uma grande
diversidade de pequenos mas interessantes peixes (a arraia miúda).
Na grelha
Para se pescarem estas criaturas, a imaginação não tem
limites, exige-se experiência e torna-se fundamental o conhecimento. A
tecnologia finge que ajuda a disfarçar estas carências, quando elas existem. Mas,
o mais importante índice de validade da pesca é a chamada realidade virtual, ou
seja, o desejo de pescar muito, o qual descasa com a insatisfação, logo seguido
pela frustração ou pela exaltação. O pescador nunca se contenta – é um contente
descontente. Sempre a acusar de falta de peixe, sempre a acusar os “filhos da
Culatra” por excesso de zelo; sempre a acusar as marés, o tempo, as leis da
pesca, os locais, a pouca sorte…nunca se acusa a ele próprio pelo fracasso.
Mas, quando consegue boas pescarias, abre muito a boca, gaba-se sem parar,
auto-elogia-se, ostenta, regista, divulga…Depois, lixam-se. Poucos são os que
se contêm, os que se vedam…
Mas o ser humano é mesmo assim e a pesca, essa
actividade de lazer, que remonta aos primórdios da humanidade, acaba por
conciliar a programação genética com a evolução. Daí o frenesim, a ânsia, o
desejo, o gozo, o prazer, a vaidade…
Este molhe retrata-nos tão bem! É mais que um retrato,
é uma radiografia.
11. O CICLO
A natureza tem uma regra estrutural – repete-se, mas
sempre de forma diferente. O Verão deste ano não foi igual a nenhum outro dos
anos anteriores. O ser humano encaixa neste esquema.
Já vai para 30 anos que descobri a Ilha do Farol.
Todos os anos sou visto no molhe a pescar, na longa praia branca a banhar-me,
no barco da carreira carregado de tralha, na Associação às compras, na conversa
com velhos amigos. Estes, anualmente, fixam-nos atentamente, perguntam-nos pela
vida, oferecem-nos iscos…o Nascimento, o Vicente e tantos outros. São
considerados por mim e consideram-me igualmente.
O Vicente
Anualmente, ciclicamente, na Ilha do Farol, vai-se
repetindo o essencial.
12. Será que
vivi? Que pensei? Que olhei?
Verdadeiramente, acreditem que sim.
Vivi novas sensações: o prazer de esperar na pesca às
douradas… Dei comigo a prestar mais atenção aos pormenores dos iscos, das
montagens, dos melhores sítios… A observar com insistência e a registar mentalmente
para não esquecer os rostos e o frasear dos Amigos… Constatei que amadureci…Aos
70 anos…Só mesmo na Ilha do Farol. Tem magia esta Ilha!
Douradas
Borges. O vento...
Ilha do
Farol, 30 de Setembro de 2015
Luís M.
Borges



