sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

53. MEMÓRIAS DO ALTO MAR



2.Pescadores com boca – Milhos

 
- Hoje há MILHOS.
Vaz de Carvalho pediu-me, que convidasse os meus amigos de pesca, os mais chegados, para participarem num Jantar de Milhos, que iria realizar na Altix.
Claro, que os meus melhores amigos, também são os amigos dele.
Assim, logo se dispuseram sobre os MILHOS, pois seria ingratidão de todo o tamanho, se recusassem. O Forte chegou a afirmar: Para o Sr Vaz de Carvalho, SEMPRE.


O dia nasceu cinzento, húmido e frio. Um dia ideal para se comerem milhos. Na origem dos milhos, que é Ribeira de Pena, os dias assim só sabem a milhos. As casas e as ruas cheiram a milhos. As pessoas só falam em milhos.
O cozinheiro (Mestre Vaz), por incumbência própria, tendência pelo “métier” e sobretudo pelo prazer de bem receber e tratar os amigos, esmerou-se. Aliás, todos se esmeraram.
Eu também:
“Longe das ruas tortas de Matosinhos
Onde vem acabar a pesca
Aqui estamos todos nós
Unidos, admirados.
Não há barcos no mar
Nem outros saem para o mar.”

Dizia o Marques: Óh Cheta, anda ver este "milho"


Aqui estamos todos nós, os autênticos amigos, os que se entendem, os companheiros de sempre, porque sobre os outros, há que dizer:
“Às vezes, perdemos os amigos
Entre as curvas de um enredo,
Só porque deixámos de acreditar.”
Mas todos nós, os que aqui estamos, continuamos a creditar.
-Vamos aos MILHOS.
Resplandecente de satisfação, VC pousou um grande tacho na mesa, depois outro e ainda outro: milhos, carnes, grelos, por esta ordem.


Afanaram-se os amigos. Todos de pé, 12 com pratos na mão, iam-se chegando ao Mestre, que sobretudo, distribuiu os milhos. A seguir foram vasculhando as carnes diversas das suas preferências e por fim engrelaram o conjunto. Um prato assim até que é bonito. A seguir sentaram-se a munquirem e a pedirem vinho tinto. E começaram a louvar Vaz de Carvalho.
Durou esta azáfama de deleite, meio tempo de um jogo de futebol…


Seguiram-se as provas com cálices diversos…brindes…risadas e tiradas.
Sobre um político denominado o “fantasma da ópera” alguém gritou:
- Corrrrrrrrrrrr…no.
O café, a resumir. Longo foi o jantar, porque começou às 20h00 e acabou às 23h00.

- Assim se vê, a força do porquê!

Apêndices úteis:
A receita dos Milhos
Lavam-se os milhos em várias águas. Cozem-se na água das carnes, mexendo sempre, para não agarrarem ao fundo do tacho, atem ficarem papas consistentes. E pronto. As papas acompanham as carnes e os grelos. Bom apetite!



Tipos de milhos:
Passo explicar o que são milhos.
É um prato tradicional de Ribeira de Pena. Os milhos são uma espécie de farelo grosso obtido por moagem do milho na mó, mas sem chegar a ser farinha.
Há vários tipos de milhos:
- Escornados (feitos com carne de vaca)
- Esgravatados (feitos com carne de galinha)
- Esfuçados (feitos com carne de porco)
- Ricos (feitos com todo o tipo de carnes)
O que Vaz de Carvalho fez foram os Milhos Ricos, uma espécie de Cozido à Portuguesa. 



Bibliografia:
Adaptação de um poema de Rui Pires Cabral; Website de Ribeira de Pena.



Matosinhos, 25 de Novembro de 2015
Luís M. Borges



REACÇÕES
Muitos dos amigos, que refiro no Blogue, comentam amiúdes vezes. Passarei a incluir na respectiva postagem, estes comentários. Acho bem…

Email que enviei a informar sobre a publicação da nova postagem:
Caros Amigos
Estes pescadores com boca são terríveis. Como lobos esfaimados atacaram os milhos do Vaz de Carvalho e não deixaram nem um chispinho. Doze vorazes glutões. Porquê? Não interessa. A força está no porquê...
Ora cliquem lá: http://picadelrei.blogspot.pt/
Até à próxima. Onde será?
Luís M. Borges

Comentário 1:
Caro Amigo Luís Borges:
Bons momentos!
E particularmente aqueles momentos, são porções do  tempo que passa, limitados, mas que deixam a "impressão digital" da satisfação vivida por tempo ilimitado.
Viveram-se os amigos, os milhos, o autor dos milhos e os comilões dos mesmos. Simplicidade mundana.
Ficarão as recordações, assim como as de outros momentos já experienciados.
Os esfaimados, vorazes glutões ,atacantes plurais de simples milhos ,com chispe, salpicão ou chouriço, a guarnecer, não justificam o porquê de tal voragem.
Nada há para justificar. Come-se, é mesmo assim!
É a existência, na sua plenitude, exprimindo-se à tona dos instintos individuais mais primários, no  nosso dia a dia, ou noite! Não interessa!
Não, não interessa! É assim e pronto! Não interessa mesmo!
O que interessa é aquela sensação de plenitude , entre amigos, que nos faz sentir que a vida vale a pena, à parte as noticiosas fanfarronadas  das "Coelhadas" políticas, ou outras, que azedam qualquer ementa.
Mas o "tinto" tudo lava e purifica!...Tal qual bodas de Canaã...Judaísmo à parte!
Sim, de acordo, amigo, a força está no porquê...mas no porquê da indiferença da justificação. É assim, porque não poderia ser de outra forma! Ou poderia? Não interessa. O rio passa e não volta.
O importante é saber...quando é a próxima?
Onde será?  O  mistério faz parte da atracção.
Aguardemos.
Gostamos, gostei.
Até à próxima.
Abraço e Amizade
Nelson Mota





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