domingo, 15 de novembro de 2015

51. MEMÓRIAS DO ALTO MAR



1.Pescadores com boca
 
Introdução


É notório, os galos de Barcelos têm gosto e quando são bonecos são cativantes.
No que me diz respeito, tenho tido o enorme prazer de beber o conhaque no barco e de comer o galo no “Leme”. Diria com mais precisão:
“Eu bebo a verdade no conhaque do Óscar e como a verdade no galo do Forte”.
Ora bem, assim sendo, faço crença de que ambos os aspectos estejam ligados (o que se bebe e come e pesca no barco, em acção de pesca e o que se come e bebe e se fala no restaurante de Barcelos, em acção de confraternização) como se de um arco se tratasse.

Os jantares em Barcelos


Promovidos e organizados pelo Forte, os jantares de Barcelos efectuados no restaurante “O LEME”, cujo prato forte (não podia deixar de ser) tem sido o “arroz de cabidela”, são de alto gabarito. Já realizou 3 e este do dia 12 de Novembro, quase que teve um carácter natalício, uma espécie de antecipação, embora eu tenha fé, imensa fé, que o jantar verdadeiramente natalício vá acontecer, talvez com outro tipo de ser morto.


Chegámos os 3 com o Óscar, o qual sempre muito atencioso, não prescindiu de ir acompanhado. Afinal, todos ficavam em caminho: o Cheta em Matosinhos, o Borges na Senhora da Hora e o Malheiro em Leça. Depois era só seguir a A23. E lá estava o Restaurante “O Leme” e lá entrámos e subimos.
Todos se sentaram, cada qual com o seu leme (o prato) à frente, a conduzirem as suas escolhas, através de uma mesa carregada de apetitosas petingas fritas, pataniscas crocantes, azeitonas pretas, broa de milho e vinhos branco (Alvarinho) e tinto (Rioga). Depressa foi chegando a enorme travessa carregadinha de pedaços de frango fumegantes, com aquela cor avinhada, pela influência do sangue no arroz.  
Notou-se sofreguidão, pelas patas, pelas moelas, pelos fígados e pelas coxas. Só que eram 2 galos e os bichos são limitados nessas coisas, que seriam para dividir por cinco!
Resolvida a contenda, os pratos foram-se transmudando, de cheios a vazios, de vazios a cheios, bem como as taças de vidro, a que chamam de copos. Curioso…penso que foi a magia dos galos…os rostos dos convivas começaram a ficar mais coradinhos, a conversa alteou e manifestou-se em vivacidade, as gargalhadas fizeram-se ouvir…



É esta felicidade que faz viver. Ser-se feliz, eis a questão…
Um gelado (vianeta) com uma pinga de whisky e o café encerraram o evento, com uma homenagem à cozinheira.
Diga-se e termine-se: o Forte é nas horas das pescarias e dos jantares que se renova. 

Barcelos, 12 de Novembro de 2015
Luís M. Borges

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