1.Pescadores com boca
Introdução
É notório, os galos de
Barcelos têm gosto e quando são bonecos são cativantes.
No que me diz
respeito, tenho tido o enorme prazer de beber o conhaque no barco e de comer o
galo no “Leme”. Diria com mais precisão:
“Eu bebo a verdade no conhaque do Óscar e como a verdade no
galo do Forte”.
Ora bem, assim sendo,
faço crença de que ambos os aspectos estejam ligados (o que se bebe e come e
pesca no barco, em acção de pesca e o que se come e bebe e se fala no restaurante
de Barcelos, em acção de confraternização) como se de um arco se tratasse.
Os jantares em Barcelos
Promovidos e
organizados pelo Forte, os jantares de Barcelos efectuados no restaurante “O LEME”,
cujo prato forte (não podia deixar de ser) tem sido o “arroz de cabidela”, são
de alto gabarito. Já realizou 3 e este do dia 12 de Novembro, quase que teve um
carácter natalício, uma espécie de antecipação, embora eu tenha fé, imensa fé,
que o jantar verdadeiramente natalício vá acontecer, talvez com outro tipo de
ser morto.
Chegámos os 3 com o
Óscar, o qual sempre muito atencioso, não prescindiu de ir acompanhado. Afinal,
todos ficavam em caminho: o Cheta em Matosinhos, o Borges na Senhora da Hora e
o Malheiro em Leça. Depois era só seguir a A23. E lá estava o Restaurante “O
Leme” e lá entrámos e subimos.
Todos se sentaram, cada
qual com o seu leme (o prato) à frente, a conduzirem as suas escolhas, através
de uma mesa carregada de apetitosas petingas fritas, pataniscas crocantes,
azeitonas pretas, broa de milho e vinhos branco (Alvarinho) e tinto (Rioga). Depressa
foi chegando a enorme travessa carregadinha de pedaços de frango fumegantes,
com aquela cor avinhada, pela influência do sangue no arroz.
Notou-se sofreguidão,
pelas patas, pelas moelas, pelos fígados e pelas coxas. Só que eram 2 galos e
os bichos são limitados nessas coisas, que seriam para dividir por cinco!
Resolvida a contenda,
os pratos foram-se transmudando, de cheios a vazios, de vazios a cheios, bem
como as taças de vidro, a que chamam de copos. Curioso…penso que foi a magia
dos galos…os rostos dos convivas começaram a ficar mais coradinhos, a conversa
alteou e manifestou-se em vivacidade, as gargalhadas fizeram-se ouvir…
É esta felicidade que
faz viver. Ser-se feliz, eis a questão…
Um gelado (vianeta)
com uma pinga de whisky e o café encerraram o evento, com uma homenagem à
cozinheira.
Diga-se e termine-se:
o Forte é nas horas das pescarias e dos jantares que se renova.
Barcelos, 12 de Novembro de 2015
Luís M. Borges


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