2.Pescadores
com boca – Milhos
- Hoje há MILHOS.
Vaz de Carvalho pediu-me, que convidasse
os meus amigos de pesca, os mais chegados, para participarem num Jantar de
Milhos, que iria realizar na Altix.
Claro, que os meus melhores amigos,
também são os amigos dele.
Assim, logo se dispuseram sobre os
MILHOS, pois seria ingratidão de todo o tamanho, se recusassem. O Forte chegou
a afirmar: Para o Sr Vaz de Carvalho, SEMPRE.
O dia nasceu cinzento, húmido e frio. Um
dia ideal para se comerem milhos. Na origem dos milhos, que é Ribeira de Pena,
os dias assim só sabem a milhos. As casas e as ruas cheiram a milhos. As
pessoas só falam em milhos.
O cozinheiro (Mestre Vaz), por incumbência
própria, tendência pelo “métier” e sobretudo pelo prazer de bem receber e
tratar os amigos, esmerou-se. Aliás, todos se esmeraram.
Eu também:
“Longe
das ruas tortas de Matosinhos
Onde
vem acabar a pesca
Aqui
estamos todos nós
Unidos,
admirados.
Não
há barcos no mar
Nem
outros saem para o mar.”
Dizia o Marques: Óh Cheta, anda ver este "milho"
Aqui estamos todos nós, os autênticos amigos,
os que se entendem, os companheiros de sempre, porque sobre os outros, há que
dizer:
“Às
vezes, perdemos os amigos
Entre
as curvas de um enredo,
Só
porque deixámos de acreditar.”
Mas todos nós, os que aqui estamos,
continuamos a creditar.
-Vamos aos MILHOS.
Resplandecente de satisfação, VC pousou
um grande tacho na mesa, depois outro e ainda outro: milhos, carnes, grelos,
por esta ordem.
Afanaram-se os amigos. Todos de pé, 12 com
pratos na mão, iam-se chegando ao Mestre, que sobretudo, distribuiu os milhos.
A seguir foram vasculhando as carnes diversas das suas preferências e por fim
engrelaram o conjunto. Um prato assim até que é bonito. A seguir sentaram-se a munquirem
e a pedirem vinho tinto. E começaram a louvar Vaz de Carvalho.
Durou esta azáfama de deleite, meio
tempo de um jogo de futebol…
Seguiram-se as provas com cálices
diversos…brindes…risadas e tiradas.
Sobre um político denominado o “fantasma
da ópera” alguém gritou:
- Corrrrrrrrrrrr…no.
O café, a resumir. Longo foi o jantar,
porque começou às 20h00 e acabou às 23h00.
- Assim se vê, a força do porquê!
Apêndices
úteis:
A
receita dos Milhos
Lavam-se os milhos em várias águas.
Cozem-se na água das carnes, mexendo sempre, para não agarrarem ao fundo do
tacho, atem ficarem papas consistentes. E pronto. As papas acompanham as carnes
e os grelos. Bom apetite!
Tipos
de milhos:
Passo explicar o que são milhos.
É um prato tradicional de Ribeira de
Pena. Os milhos são uma espécie de farelo grosso obtido por moagem do milho na
mó, mas sem chegar a ser farinha.
Há vários tipos de milhos:
- Escornados
(feitos com carne de vaca)
- Esgravatados
(feitos com carne de galinha)
- Esfuçados
(feitos com carne de porco)
- Ricos
(feitos com todo o tipo de carnes)
O que Vaz de Carvalho fez foram os
Milhos Ricos, uma espécie de Cozido à Portuguesa.
Bibliografia:
Adaptação de um poema de Rui Pires
Cabral; Website de Ribeira de Pena.
Matosinhos,
25 de Novembro de 2015
Luís
M. Borges
REACÇÕES
Muitos dos amigos, que
refiro no Blogue, comentam amiúdes vezes. Passarei a incluir na respectiva
postagem, estes comentários. Acho bem…
Email que enviei a
informar sobre a publicação da nova postagem:
Caros Amigos
Estes pescadores com
boca são terríveis. Como lobos esfaimados atacaram os milhos do Vaz de Carvalho
e não deixaram nem um chispinho. Doze vorazes glutões. Porquê? Não interessa. A
força está no porquê...
Ora cliquem lá: http://picadelrei.blogspot.pt/
Até à próxima. Onde
será?
Luís M. Borges
Comentário 1:
Caro Amigo Luís
Borges:
Bons momentos!
E particularmente
aqueles momentos, são porções do tempo
que passa, limitados, mas que deixam a "impressão digital" da
satisfação vivida por tempo ilimitado.
Viveram-se os amigos, os
milhos, o autor dos milhos e os comilões dos mesmos. Simplicidade mundana.
Ficarão as
recordações, assim como as de outros momentos já experienciados.
Os esfaimados, vorazes
glutões ,atacantes plurais de simples milhos ,com chispe, salpicão ou chouriço,
a guarnecer, não justificam o porquê de tal voragem.
Nada há para
justificar. Come-se, é mesmo assim!
É a existência, na sua
plenitude, exprimindo-se à tona dos instintos individuais mais primários, no nosso dia a dia, ou noite! Não interessa!
Não, não interessa! É
assim e pronto! Não interessa mesmo!
O que interessa é
aquela sensação de plenitude , entre amigos, que nos faz sentir que a vida vale
a pena, à parte as noticiosas fanfarronadas
das "Coelhadas" políticas, ou outras, que azedam qualquer
ementa.
Mas o
"tinto" tudo lava e purifica!...Tal qual bodas de Canaã...Judaísmo à
parte!
Sim, de acordo, amigo,
a força está no porquê...mas no porquê da indiferença da justificação. É assim,
porque não poderia ser de outra forma! Ou poderia? Não interessa. O rio passa e
não volta.
O importante é
saber...quando é a próxima?
Onde será? O
mistério faz parte da atracção.
Aguardemos.
Gostamos, gostei.
Até à próxima.
Abraço e Amizade
Nelson Mota