O MAR DO NORTE
1.PESCADORES DO NORTE
Estes designativos resultam de “bate-papos” com o Forte. Lá mais para norte, por questões práticas (perto de casa), de interesse (querer conhecer outras técnicas de pesca) e de oportunidade (nem sempre as saídas para o mar alto do Fosmar ou as suas não-saídas coincidiam com o desejo de pescar), o nosso estimado amigo Forte foi várias vezes pescar nos barcos de Viana do Castelo.
Tudo bem. A liberdade pessoal é um bem a preservar. O Forte tem todo o direito de exercer a sua liberdade de escolha. Contudo…no Fosmar há uma equipa de pesca, há os amigos, há sintonia de modos de ser e de estar, há sobretudo a confraternização. Daí, sobretudo o Óscar, ter passado o dia de pesca a falar no “Mar do Norte”. E redobrou o seu dizer, quando pescou um magnífico pargo.
- Isto é ser pescador do norte.
Porém, o Forte aceitou sempre de bom grado os motes, com uma dignidade surpreendente e até bem humorada. Esta é mais uma razão para que o Forte possa e deva participar mais. Todos pretendem só isso.
2.POR FALAR EM ÓSCAR
Nesta sessão de pesca o Óscar esteve imparável. Nem a minha habitual cadência de pesca regular, nem a experiência do Cheta, nem os excelentes e actuais novos materiais do Forte, conseguiram suplantar a intensidade de pesca do Óscar. A brincar poderei dizer:
- O Óscar estava insuportavelmente um pescador excepcional. Talvez três das quatro caixas repletas de peixe fossem dele! Kkkkkkkkkkkk
3.CHETA O RESINGÃO
O nosso Cheta é um rezingão.
- Ai o meu estômago, ai as minhas costas, ai que tudo sobra para mim, ai os “escamas” que não saem, ai isto, ai aquilo…
Diacho, que se passa com o nosso Amigo Cheta? Ele repete muitas vezes:
- Estou velho!
E eu respondo-lhe:
- E eu Cheta? Estou novo? Tenho uma artrose no pé, tenho a próstata a obrigar-me a mijar 10 vezes por dia, sou um deficiente visual, tenho arritmia cardíaca, tenho o sangue demasiado gordo e sobretudo tenho 74 anos. Porra, eu é que estou velho e arrumado.
Mas, verdade seja dita, o Cheta está sobrecarregado de trabalho e de responsabilidade no que ao barco diz respeito e quanto à organização das saídas de pesca (compra o pão), o gelo, o isco, o gasóleo, o engodo, faz o almoço na sua vez, vai ao guincho, etc, etc,etc. é exemplar, mas na realidade está sobrecarregado. Não está velho. Anda cansado.
4.O NÃO E O SIM
A primeira poitada foi algo que nunca vivenciei. Durante uma hora, os 4 pescadores do Norte, não lograram capturar um peixe que fosse. Aquele sítio tinha sido comprado por uma empresa estrangeira denominada Mar do Sul e os peixes vendidos ao Trump. Parece-me que esta personagem gosta muito daquilo que pertence aos outros. Como esquecemos a artilharia em casa, fugimos para outro pesqueiro, não fosse a CIA aparecer a chatear.
Foi uma excelente decisão. Os peixes existentes neste rincão eram patriotas e manifestaram-se a favor da independência nacional. Talvez tivessem já passado pelo Mar de Barcelona.
5.O ÓSCAR E AS SONORIDADES DIÁRIA
O Óscar, além de bom pescador, é igualmente um cantor lírico de primeiro plano. Aquilo que ele canta, não tem nada a ver, com música relaxante. Pelo contrário, é música tipo Jazz do pesado, com uma batida intensa.
A malta “caga-se a rir” e a pescaria acaba por se transformar em concerto.
Esta euforia sonora provocada pelo Óscar provoca um ambiente festivo, propício à boa disposição.
Lembrando-me dos meus idos 7 anos de idade, quando numa ocasião tive de ir a consulta ao Dr. Egídio, no Peso da Régua, por causa de uma dor de barriga, o médico recomendou-me:
- Luizinho, foguetes, manda foguetes…faz bem! - Nunca me esqueci.
6.O MEU JANTAR
Peguei da arca uma majestosa choupa, onde bons carapaus e alguns sargos meeiros acamaradavam com uma dúzia de gordas fanecas, escamei-a, limpei-a, cortei-a em postas, salguei-a e cozinhei-a ao vapor.
O acompanhamento foi o adequado: grelos, batatas e cenouras cozidas. Um tinto a pintar a cena e depois – o merecido repouso.
Que terapia meus caros Amigos.
Senhora da Hora, 26 de Outubro de 2019
Luís M. Borges
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