terça-feira, 26 de março de 2019

121. MEMÓRIAS DO ALTO MAR

Laços


1.As cores
Comecei supersticiosamente pela escolha da cor. Escolhi o amarelo. Porquê?

  
As minhas montagens todas elas têm as mesmas características, quer em anzóis, quer no tipo e espessura dos fios, bem como nos comprimentos dos estranhos. Contudo, escolhi bem, pois a cor amarela casa bem com o azul do céu e do mar e com o dourado do sol.
Acho, que o Cheta escolheu o verde, o Malheiro o azul e o Óscar o vermelho.

2.Troféus

Óscar

Todos nós quisemos dar orgulho. Orgulhosos pelos peixes capturados. Para os amigos verem e outros “amigos” elogiarem...ah, e também para delírio colectivo do facebook!

Malheiro

Admiremos portanto os gloriosos e não se deixem enganar pelas palavras de um dos tais “amigos”, que na Marina, ao saber da boa pescaria, comentou assim:
- Ora, há peixe em barda neste mar. É só deixar cair. Não é preciso grande sabedoria. Qualquer azelha pesca assim…

Borges

3.O carreto do Cheta
O Cheta tem um carreto cheio de personalidade. Ora liga, ora desliga. Tem vezes que só ala na 3a velocidade. O Cheta irritou-se, pois os mecânicos dos carretos nunca acertaram no verdadeiro concerto, preferindo talvez fazer de conta que arranjaram. Não se faz isto! Assim, aborrecidissimo, foi ao quarto de casal do barco e trouxe o carreto grandalhão, aquele dos gorazes.
Foi feliz, pois recuperou da última trepa que levou.

O Cheta recuperou

4. O banco de fanecas
Talvez as fanecas se agrupem. Provavelmente escolhem um sítio adequado para o fazerem. Que tipo de sítio? Onde abunde comedoria? Por razões de procriação? Por segurança? Desconhece-se. 

Queijo verde para o sportinguista

Em meia hora fizemos os quatro mais de 50 fanecas, todas com o mesmo tamanho, a darem para o grandote. Depois,  o barco rodou e acabaram-se as fanecas. Mas valeu!

 5. Felizes e contentes
 Pois. Laços de contentamento. Laços de boa disposição. Laços de amizade. Esta equipa entende -se.  

A Bandida do Pomar

Marina de Leça, 23 de Março de 2019
Luís Maria Borges

120. PESCADORES COM BOCA. MURÇA

Ao vinho e ao azeite


1.O mar ausente
Porque ficaram pendentes, umas dúvidas sobre “ventos e rajadas”, a pescaria deste sábado foi anulada. Acontece, que se às quintas-feiras não houver “ordens”, em vez de tomarmos rumos, tomamos estradas.


 2.Don Rodrigo
Amarante é  uma cidade cativante. Mediada pelo Rio, abraçada pela ponte de S. Gonçalo, orgulhosa do seu Convento e Igreja, oferece ao visitante uma tranquilidade que impressiona. Eram 10h00 e os passos levaram-nos à  Rua 31 de Janeiro onde encalhámos na célebre Taberna Don Rodrigo. 


Perfilados, os grandes presuntos de Montalegre, benzeram-nos. Numa mesa de tampo de vidro, fomos lendo os elogios, logo interrompidos pela chegada de grossas fatias de presunto rosa e branco, no pão misto de trigo e milho, com as malgas de vinho verde tinto e umas azeitonas verdes. Bem, éramos simplesmente quatro, mas depressa ficámos completamente quatro… 
Bela e apetitosa taberna. Pareceu-me, que esta “marca de pesca” em Amarante, foi registada para futuros devaneios.

3.A porca


Em Murça, a aragem aromatiza-se com as fragrâncias do vinho e do azeite. Molham-se o pão em azeite e os lábios em vinho. 
Relembrei o ditado jocoso “Murça tem a sorte de ter uma porca, que só caga azeitona e mija vinho”. 


Às gargalhadas fomos recebidos pelo nosso amigo José Luís na bela mansão denominada Quinta S. Sebastião e encaminhados para a adega, pois claro, para onde deveria ser? 


Pão para molhar no azeite, queijo e vinhos diversos. Degustámos e elogiámos. Consequentemente comprámos azeite e vinho branco.

4.Charrisco de vitela

Passos Perdidos

O almoço aconteceu na Adega Regional Passos Perdidos. Situa-se em Vilarinho da Samardã, em Vila Real.
Vieram os aperitivos: migas (miolo de broa, misturado com moura e azeite), pataniscas, rodelas de salpicão e obviamente o vinho do José Luís. 

Charrisco

Veio seguidamente o prato principal: abundantemente, comemos com enorme prazer o “Charrisco de vitela”, a especialidade da casa, acompanhado de arroz de castanhas. 
Vieram por fim os aperitivos: ferradura com licor de folhas de Figueira. 
Reparámos, que a Adega fervilhava de comensais. Uma jovem cliente de vestido verde sugeriu-nos que gostássemos de mulheres rápidas no andar. Respondi que já nos faltava pedalada, pelo menos a alguns. 

Toca da Raposa

No regresso, tomámos café em Vila Real, na Toca da Raposa, a relembrar velhos tempos no Liceu Camilo Castelo Branco. 

Liceu Camilo Castelo Branco

Retornaremos certamente.

Murça, 16 de Março de 2019.
Luís Maria Borges