terça-feira, 26 de junho de 2018

106. MEMÓRIAS DO ALTO MAR



Ver a baleia



1.Grão-de-bico de lata

Bem avisei. Fartei-me de avisar. Não me arrependi de ter avisado. Confirmou-se a verdade do aviso.

Sou sincero: os pezinhos de porco estavam saborosos, mas demasiado moles. Estas extremidades suínas querem-se riginhas, a fim de os dentes poderem sentir aquela consistência, que obrigam a mastigar.

Já o grão, eu nem o provei, antes utilizei pão, que fui encharcando de molho. Soube-me bem.



Todos perguntaram ao afoito Malheiro se o grão era de lata. Não negou.

O pior foram as consequências: cólicas intestinais e demais imprevistos…compreendem? Situação “chata” como diria o outro.

Comentário: o Malheiro está candidato a Chefe de Culinária, dada a imaginação que coloca na confeção de menus. A utilização de chuchu em demasia provoca alergias... 


2. Queijo oriental e azedas

Nem tudo foi grão de bico.  No mata bicho saiu azeda, uma especialidade transmontana, que obrigou quase todos a repetirem, exceto o Cheta, por causa do seu delicado estômago.  Mesmo assim, nem uma rodelinha sobrou. Da próxima irei levar a provar Butelo, outra maravilha gastronómica.



Já na sobremesa foi apresentado um queijo árabe do Norte de África.  Ficaram naturalmente intrigados e lá expliquei, que não era queijo feito com leite de camela, mas incorporava hortelã.  Mister Cheta e monsieur Forte rejeitaram. Prometi para a próxima saída, levar o célebre queijo italiano “ Casu marzu” feito com leite de ovelha podre, incluindo as larvas de mosca. Talvez apreciem….

Isto é gente muito tradicionalista, pouco aberta a novidades. Já desisti de levar bulgur e quinoa, de fazer risoto, de comprar carne da “roda”, bem como de cozinhar um bom calulu angolano ou até uma excelente especialidade brasileira, ou seja, uma moqueca.

É evidente, que gostam de boa comida tradicional portuguesa.  Todos compraram o livro da famosa Maria de Lurdes Modesto. 


3. Baleia
Forte a ver a Baleia

Outra curiosidade foi a visita de uma baleia. Senti-me nos Açores, em viagem de lazer, com máquina fotográfica pronta a disparar. Foi breve este aparecimento e não deu para disparar e captar o momento. As baleias certamente odeiam pescadores lúdicos. São semelhantes aos mestres poveiros, que só não nos abalroam, porque temem as consequências.

Entretanto, o Óscar ia pescando umas bogas, que ia atirando ao mar, para consolo dos mascatos. 


4. Chuvinha, muita chuvinha

Quem é este senhor de calções


Foi uma pena, a gente ter sofrido em pico de quase verão, uma molha de todo o tamanho. E foi o Malheiro mais uma vez o bombo da festa. Veio de calçõezinhos feito turista. Como se diz em gíria, rapou um frio do caraças, embora estivesse protegido por adiposidades extra. O Malheiro é um matulão, no bom sentido claro, até confundido como alemão. 

 Salsicha da Baviera

Sabem, é o fenómeno da salsicha branca bávara com chucrute, a fazer o seu efeito. Mas lá se aguentou, não temendo nem chuva, nem rajadas fortes de vento, nem nuvens negras, nem vagas...e muito menos pescar quase nada na proa.


5. Moscas

A matar moscas


É não é que apareceu uma praga de moscas no barco? E não é que o Óscar começou a persegui-las tentando expulsá-las da cabina, com um pano? E não é que o Cheta se ria, que nem um perdido? E não é que os 3 pescadores restantes se quedaram mudos a observarem a cena da perseguição! Houve até quem sugerisse que faltava um “mata-moscas” no barco.

Conclusão: nem com pura imaginação delirante se poderia pensar numa situação deste tipo – uma praga de moscas a invadir a cabina de um barco a 15 milhas da costa. Ele há coisas…


6. Alegria



Pois foi. Há imenso tempo que o ambiente lúdico no barco não era tão intenso. Gosto assim. É para este efeito que pratico a pesca. Não é pelo peixe, nem pelo passeio, nem pelo almoço, nem por vaidade, nem por ousadia, mas pela camaradagem, pela boa disposição, pelo convívio. Dizem, que este contexto, limpa a cabeça das rotinas fatigantes, dos aborrecimentos constantes, faz esquecer mazelas sofridas de doenças que nos importunam, afasta-nos do mundo complexo, manipulador e perigoso em que vivemos.

Gosto assim.


7. Pesca


Óscar, pois claro

Durante toda a manhã implantou-se na malta uma certeza: tal tempo tal pesca. Ambos maus.

O curioso foi verificar, que tal resultado, pouca mossa fez aos cinco pescadores internacionais. Indiferentes, discutiam Bruno de Carvalho, a engrenagem benfiquista, o presidente Pinto da Costa, as más exibições e os bons resultados da nossa selecção, os restaurantes da Maia, a prostituição moderna, as festividades sanjoaninas e a importância do alho porro, as praias brasileiras e os biquínis fio dental.

Até que se tomaram duas atitudes: almoçar às 11h30 e rumar para mais perto da Costa para um pesqueiro de fanecas. Ao menos haveria atividade piscatória.



Assim foi, menos o contratempo do motor da embarcação, que engasgou. Um apito estridente ia avisando da anomalia. Várias paragens, verificação do motor e sobretudo do tubo de gasóleo e novo arranque. Quatro vezes se ouviu o apito, com novas paragens. Alguma preocupação e redução da velocidade, tendo-se chegado ao novo pesqueiro, sem novas paragens.

E uma vez no tal sítio, começou a fanecada a manifestar-se, em força. Uns carapaus e umas cavalas acrescentaram variedade. Vieram seguidamente umas choupas, uns serranos e uns sargos e até um pargo (o Óscar, quem haveria de ser!), os quais proporcionaram novas esperanças à equipa.

Deu para safar, no dizer do Forte, que como habitualmente, foi o maior, embora em tabaco fumado.

Quase 5 quilitos a cada especialista.



Classificação: Malheiro, o mais enregelado; Cheta, o de há três anos; Borges, o regular; Óscar, o melhor exemplar; Forte, na média, mas favorecido.

Quem discordar desta classificação que marque uma Assembleia Geral. É assim.


8. Assédio sexual no Oceanário



“Assédio sexual no Oceanário de Lisboa”
Peixes, bivalves, moluscos, cefalópedes e outros animais aquáticos não identificados, reuniram-se em AG no Oceanário de Lisboa, para discutirem as medidas a tomar em protesto contra a atribuição do Óscar de Melhor Filme a "A Forma da Água".
No comunicado enviado às redacções, os habitantes do Oceanário protestam contra o facto de a Academia ter atribuído o galardão  a um filme em que uma mulher  mantém relações sexuais com um peixe.
- Isto é uma perversão intolerável!"- disse um peixe martelo aos jornalistas aglomerados junto do aquário onde Amália e Eusébio vivem um romance de amor.
- Se a justiça não actuar, saberemos responder em conformidade, renunciando a situação  ao Tribunal Europeu dos Direitos dos Animais" - garantiu também um polvo que acabou de assinar um contrato com a FIFA para adivinhar os resultados dos jogos do Mundial de Futebol que se inicia em Junho
Já os peixes tropicais assinaram um comunicado conjunto onde se demarcam dos restantes animais do Oceanário, porque o comunicado não faz uma crítica ao peixe-porco que vive na Casa Branca
O CR sabe que os animais do Oceanário vão apresentar queixa à Comissão Para a Igualdade de Género, exigir à RTP que faça um Prós e Contras sobre o assédio sexual aos animais  marinhos e pedir uma audiência à PGR.
Foi também lançada uma petição contra o assédio sexual aos animais marinhos praticado por humanos, mas a Tartaruga Marinha não assinou, porque anseia vir a ser assediada pelo sapo Cocas.


terça-feira, 6 de março de 2018
Blog: crónicas do rochedo




Obs: Enigma colocado no post anterior:  “Conseguiram descobrir o que é um PO? A imagem que antecede é explícita.” 


21 de Junho de 2018

Luís M. Borges


domingo, 10 de junho de 2018

105. MEMÓRIAS DO ALTO MAR

 Quatro horas de sobremesa


 O Forte
1.Boatos
Aproveitando o feriado e as boas condições marítimas,  a decisão foi batermos de novo, a área dos gorazes.
O Cheta acabou por arranjar sardinha e cavala frescas e ainda montar mais uns aparelhos. Tínhamos os dois na véspera ido a Esposende à Pescávado comprar mais fios, anzois e chumbadas.

Cavalas

Desta vez o nosso companheiro Forte, foi pescar. É sempre uma honra tê-lo connosco, embora eu ainda desconfie, que talvez fosse a cobiça pelos gorazes, a causa da decisão. Mas não. Eu sempre acreditei em boatos, são mentiras. Ele aprecia e sabe gozar a vida de pescador.

2. Foi dia sem cueca 

Pois foi e foi estranho saber a seguinte notícia pelos jornais:
“Que neste dia foi o Dia Internacional da Criança, toda a gente sabe. O que nem todos saberão é que nesta data também se assinalou o Dia Europeu sem Cueca.
Mas, tomando de mão esta achega, diria que também tivemos um dia sem Cueca, de pesca ao goraz, claro. Os pescadores-reizinhos vieram mais que sem cuecas, vieram nus. 
Que dia de pesca mais estranho. Cinco pescadores lograram capturar em 9 horas de pesca, 7 gorazes, 15 carapaus, 20 cantarilhos pequenos, 5 fanecas e mais uns diversos. Obviamente, calhou um quinto do total deste pecúlio a cada um. Uma miséria!

Três carapaus a cada um

Valeu, para os que apreciam, ter aparecido no local um “pelotão” de congros. Malheiro e Óscar viram -se compensados. Até os amanharam no barco, com o cheirete das entranhas destes bichos, a federem o ar. Esta eutanásia congral é aceite na embarcação, pois se fosse na Assembleia da dita República, não passaria.

O Malheiro e "su congrito"

3. Vai um P.O.?
Visto isto noutra perspectiva, falarei agora somente da tarde de pesca, que como bem sabem, decorre sempre depois do almoço. Eh, eh, eh, eh…
O almoço foi bacalhau, entremeado com macarrão, atomatado. A sobremesa foi queijo com húngaros (uma saborosa bolacha vendida nas padarias).

Massa com bacalhau

Pois esta sobremesa demorou 4 horas na mente dos pescadores. Sem peixes, não existe pesca, mas apenas pode existir ao menos a lembrança da sobremesa. E foram 4 horas a lembrar o acepipe. Uma mais que longa sobremesa.

A triste realidade...

Já perto das 17h30 alguém pediu:
- Tragam-me um P.O. por favor.

Obs: Logo vos direi o que é um P.O. Foi o Dr Adérito que me ensinou.

Marina de Leça, 31 de Maio de 2018
Luís M. Borges