Ver a baleia
1.Grão-de-bico de lata
Bem avisei. Fartei-me de avisar. Não me arrependi de ter avisado.
Confirmou-se a verdade do aviso.
Sou sincero: os pezinhos de porco estavam saborosos, mas demasiado moles.
Estas extremidades suínas querem-se riginhas, a fim de os dentes poderem sentir
aquela consistência, que obrigam a mastigar.
Já o grão, eu nem o provei, antes utilizei pão, que fui encharcando de
molho. Soube-me bem.
Todos perguntaram ao afoito Malheiro se o grão era de lata. Não negou.
O pior foram as consequências: cólicas intestinais e demais imprevistos…compreendem?
Situação “chata” como diria o outro.
Comentário: o Malheiro está candidato a Chefe de Culinária, dada a
imaginação que coloca na confeção de menus. A utilização de chuchu em demasia
provoca alergias...
2. Queijo oriental e azedas
Nem tudo foi grão de bico. No mata
bicho saiu azeda, uma especialidade
transmontana, que obrigou quase todos a repetirem, exceto o Cheta, por causa do
seu delicado estômago. Mesmo assim, nem
uma rodelinha sobrou. Da próxima irei levar a provar Butelo, outra maravilha gastronómica.
Já na sobremesa foi apresentado um queijo árabe do Norte de África. Ficaram naturalmente intrigados e lá expliquei,
que não era queijo feito com leite de camela, mas incorporava hortelã. Mister Cheta e monsieur Forte rejeitaram.
Prometi para a próxima saída, levar o célebre queijo italiano “ Casu marzu”
feito com leite de ovelha podre, incluindo as larvas de mosca. Talvez
apreciem….
Isto é gente muito tradicionalista, pouco aberta a novidades. Já desisti
de levar bulgur e quinoa, de fazer risoto, de comprar carne da “roda”,
bem como de cozinhar um bom calulu
angolano ou até uma excelente especialidade brasileira, ou seja, uma moqueca.
É evidente, que gostam de boa comida tradicional portuguesa. Todos compraram o livro da famosa Maria de
Lurdes Modesto.
3. Baleia
Forte a ver a Baleia
Outra curiosidade foi a visita de uma baleia. Senti-me nos Açores, em
viagem de lazer, com máquina fotográfica pronta a disparar. Foi breve este
aparecimento e não deu para disparar e captar o momento. As baleias certamente
odeiam pescadores lúdicos. São semelhantes aos mestres poveiros, que só não nos
abalroam, porque temem as consequências.
Entretanto, o Óscar ia pescando umas bogas, que ia atirando ao mar, para
consolo dos mascatos.
4. Chuvinha, muita chuvinha
Quem é este senhor de calções
Foi uma pena, a gente ter sofrido em pico de quase verão, uma molha de
todo o tamanho. E foi o Malheiro mais uma vez o bombo da festa. Veio de calçõezinhos
feito turista. Como se diz em gíria, rapou um frio do caraças, embora estivesse
protegido por adiposidades extra. O Malheiro é um matulão, no bom sentido
claro, até confundido como alemão.
Salsicha da Baviera
Sabem, é o fenómeno da salsicha branca bávara com chucrute, a fazer o seu
efeito. Mas lá se aguentou, não temendo nem chuva, nem rajadas fortes de vento,
nem nuvens negras, nem vagas...e muito menos pescar quase nada na proa.
5. Moscas
A matar moscas
É não é que apareceu uma praga de moscas no barco? E não é que o Óscar
começou a persegui-las tentando expulsá-las da cabina, com um pano? E não é que
o Cheta se ria, que nem um perdido? E não é que os 3 pescadores restantes se
quedaram mudos a observarem a cena da perseguição! Houve até quem sugerisse que
faltava um “mata-moscas” no barco.
Conclusão: nem com pura imaginação delirante se poderia pensar numa
situação deste tipo – uma praga de moscas a invadir a cabina de um barco a 15
milhas da costa. Ele há coisas…
6. Alegria
Pois foi. Há imenso tempo que o ambiente lúdico no barco não era tão
intenso. Gosto assim. É para este efeito que pratico a pesca. Não é pelo peixe,
nem pelo passeio, nem pelo almoço, nem por vaidade, nem por ousadia, mas pela
camaradagem, pela boa disposição, pelo convívio. Dizem, que este contexto,
limpa a cabeça das rotinas fatigantes, dos aborrecimentos constantes, faz
esquecer mazelas sofridas de doenças que nos importunam, afasta-nos do mundo
complexo, manipulador e perigoso em que vivemos.
Gosto assim.
7. Pesca
Óscar, pois claro
Durante toda a manhã implantou-se na malta uma certeza: tal tempo tal
pesca. Ambos maus.
O curioso foi verificar, que tal resultado, pouca mossa fez aos cinco pescadores
internacionais. Indiferentes, discutiam Bruno de Carvalho, a engrenagem
benfiquista, o presidente Pinto da Costa, as más exibições e os bons resultados
da nossa selecção, os restaurantes da Maia, a prostituição moderna, as
festividades sanjoaninas e a importância do alho porro, as praias brasileiras e
os biquínis fio dental.
Até que se tomaram duas atitudes: almoçar às 11h30 e rumar para mais
perto da Costa para um pesqueiro de fanecas. Ao menos haveria atividade
piscatória.
Assim foi, menos o contratempo do motor da embarcação, que engasgou. Um
apito estridente ia avisando da anomalia. Várias paragens, verificação do motor
e sobretudo do tubo de gasóleo e novo arranque. Quatro vezes se ouviu o apito,
com novas paragens. Alguma preocupação e redução da velocidade, tendo-se chegado
ao novo pesqueiro, sem novas paragens.
E uma vez no tal sítio, começou a fanecada a manifestar-se, em força. Uns
carapaus e umas cavalas acrescentaram variedade. Vieram seguidamente umas
choupas, uns serranos e uns sargos e até um pargo (o Óscar, quem haveria de ser!),
os quais proporcionaram novas esperanças à equipa.
Deu para safar, no dizer do Forte, que como habitualmente, foi o maior,
embora em tabaco fumado.
Quase 5 quilitos a cada especialista.
Classificação: Malheiro, o mais enregelado; Cheta, o de há três anos; Borges,
o regular; Óscar, o melhor exemplar; Forte, na média, mas favorecido.
Quem discordar desta classificação que marque uma Assembleia Geral. É
assim.
8. Assédio sexual no Oceanário
“Assédio sexual no Oceanário de Lisboa”
Peixes, bivalves, moluscos, cefalópedes e outros animais aquáticos não identificados, reuniram-se em AG no Oceanário de Lisboa, para discutirem as medidas a tomar em protesto contra a atribuição do Óscar de Melhor Filme a "A Forma da Água".
No comunicado enviado às redacções, os habitantes do Oceanário protestam contra o facto de a Academia ter atribuído o galardão a um filme em que uma mulher mantém relações sexuais com um peixe.
- Isto é uma perversão intolerável!"- disse um peixe martelo aos jornalistas aglomerados junto do aquário onde Amália e Eusébio vivem um romance de amor.
- Se a justiça não actuar, saberemos responder em conformidade, renunciando a situação ao Tribunal Europeu dos Direitos dos Animais" - garantiu também um polvo que acabou de assinar um contrato com a FIFA para adivinhar os resultados dos jogos do Mundial de Futebol que se inicia em Junho
Já os peixes tropicais assinaram um comunicado conjunto onde se demarcam dos restantes animais do Oceanário, porque o comunicado não faz uma crítica ao peixe-porco que vive na Casa Branca
O CR sabe que os animais do Oceanário vão apresentar queixa à Comissão Para a Igualdade de Género, exigir à RTP que faça um Prós e Contras sobre o assédio sexual aos animais marinhos e pedir uma audiência à PGR.
Foi também lançada uma petição contra o assédio sexual aos animais marinhos praticado por humanos, mas a Tartaruga Marinha não assinou, porque anseia vir a ser assediada pelo sapo Cocas.
terça-feira, 6 de março de 2018
Blog: crónicas do rochedo
Obs: Enigma colocado no post anterior: “Conseguiram descobrir o que é um PO? A imagem
que antecede é explícita.”
21 de Junho de 2018
Luís M. Borges



