quarta-feira, 30 de novembro de 2016

71. MEMÓRIAS DO MAR 3



ILHA 2016
1. Prelúdio
Quinze dias antes da partida comecei a fazer a mala. A preparação minuciosa das necessidades básicas relativas à pesca obrigou-me a tomar algumas diligências: comprei 2 bobinas de um fio especial para o Adérito; pedi ao Cheta que me fizesse umas montagens para a pesca ao sargo; decidi inovar, adquirindo uns iscos artificiais, a ver no que dariam e embalei o essencial. O melhor do futuro deve preparar-se sempre no presente.
Troquei impressões com o Adérito no dia 8 de Setembro, a saber da saúde e da pesca dele. Boa saúde e belos robalos. Fiquei entusiasmado. A expectativa da partida para a Ilha cresceu - o dia 18 demorava a chegar!
1. Dia 18 Setembro
Viagem: Alfa pendular (Campanhã 5,47; Oriente 8,25; Faro 11,23; Olhão 12,00;
Preço: 23,50).
Este ano viajei sozinho. O Barbosa encolheu-se e fechou-se em casa. Motivo? Parece-me que se sente velho e a esposa necessita do seu apoio. Desilusão e tristeza. O Barbosa sempre animou a estadia na Ilha de uma forma encantadora. As flores murcham…
Despejado do Alfa em Faro, apanhei a correr o regional e chegado a Olhão, petisquei à sombra do calor, fui ás compras com lista e arrastei-me carregado para o barco (este partia às 15h00 para a Ilha). A pequena viagem de barco matou a lesma e ainda pequenino o Farol ergueu-se. No cais,
lá estava o Adérito à minha espera com o carrinho do super mercado. Que jeito dá.
Em casa, foi o espalhar do material e prioritáriamente a montagem das canas.
Após o jantar de sopa de beldroega e peixe grelhado com salada de tomate e brócolos, encerrámos o dia com um passeio nocturno no molhe.
Botei sono às 23h00.
2.      Dia 19
Sonhei molhe com excitações diversas. Às 04h00 afaguei o TAB com o escrevinhanço primordial. Às 07h00 misturei os bons dias ao Adérito com uns mirtilos pintados de yogurte. Às 08h00 abalámos aos peixes, com uma enorme expectativa na pressa dos pés.
No 71. Primeiro lançamento; senti o rosto na aragem, os olhos na água e a espera do toque. Três tempos...
Com uma chumbeira de 30 grs e camarão no anzol, pesquei únicamente ineficácia, ou seja, os pequenos peixes deram-me deferência como limpa-anzóis. As pedras quiseram com insistência roubar-me os aparelhos. Enfim, mau começo.
Quanto ao Adérito repetiu-se a corricar. Só incomodou a água da ria.
Assim sendo, decidimos voltar à base e mudar de estratégia
Com a maré a descer, que só viraria às 10h47, eu postei-me no cais da Somec. Só pesquei estralhos sem anzóis. Iniciei à bóia, tendo então começado a labutar: pequenas choupas, picas, picas-del-rei, dobradas (viúvas), sarguetes. Fiz o bastante para o almoço.
Entretanto o Adérito, com a sua bóia de 35 grs, fixou-se no 64. Com a baixa-mar às 10h47, com uma altura de 0,28, deu início à pesca às 10h30 até as 13h00, a 10 metros e a uma profundidade de 11 metros, iscando com camarão e ralo. Pescou 15 douradas (300 grs cada), mais 2 sargos, 1 viúva e 1 choupa = 19 peixes, isto é, quase quase 5 kgs no total. Puxa, que beleza! Que paixão…
De tarde, calhou-me a mim. Virando a preia-mar às 17h19, aproveitei as águas com 3,64 metros e paradas, para dar nas viúvas grandonas, forte e feio, repetindo-me na Somec. Estas meninas são danadas para a brincadeira…dão luta… enchi o cesto delas (foto do cesto). Pesquei o que quis. De novo disse – que beleza!
O Adérito foi para o molhe, na mira das anchovas e à mistura com mais de 20 curricadores, fustigou os ares e as águas com varadas intensas. Com ele, as anchovas disseram nada…chegou a casa com um polvo de 1 kg, uma oferta do Piscas, que desceu às pedras para o caçar, debaixo de uma pedra. Na parte mais alta da pedra amontoavam-se uma dúzia de caranguejos, muito juntos, cheios de medo do polvo que rondava, pronto a caçá-los. Fantástico!
Sopa de baldroega, salada alentejana, queijo de cabra curado, fruta – foi este o jantar. Frugal!
Obs: a minha garganta deu sinais de um princípio de constipação. Fiquei apavorado.
3.      Dia 20, terça 

OBS: A completar

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