domingo, 24 de fevereiro de 2019

119. MEMÓRIAS DO ALTO MAR

MAR DE SEDA 


1.É sábado “mon amour” 

Quando um mar parece seda a ondular, uma seda azul ténis, talvez este lençol fosse propício para a concretização de enlaces. Lá na grande cama do fundo do mar poderia estar a acontecer o amor. Aquele amor na altura certa e com as condições de um sonho de vida. 
Lábios de amor. Linda peixa…

A cogitar, relacionei a época de acasalamento dos sargos (que acontece nesta altura) com a mágica beleza e a serenidade deste mar. 
Como todos sabem, os peixes e o mar obedecem à Mãe Natureza, no maior episódio da existência: a reprodução. O desejo da eternidade é absoluto, nada mais importando aos sargos, que a forte motivação da perpetuidade da espécie.


 Canas paradas

 O Malheiro silencioso

 O Cheta triste

Os iscos acumulados

Bem se esforçaram os 4 pescadores ao apresentarem-lhe os melhores manjares, na traição dos anzóis, mas eles “Os amantes”, não quiseram saber de comedorias. Por isso, das 08h00 às 10h30, foi o fracasso destes quatro impiedosos predadores de peixes. Os peixes estavam lá, mas não estavam para nós. Só poderia ser por causa daquele cósmico fenómeno “l’amour”. 

Das 08h00 às 10h30 foi esta a pesca

2. Silêncio, estou a pescar 

Posso ser sincero? Já escrevi numa das minhas anteriores postagens, que gosto de pescar tal como um relógio a dar horas. Prefiro a regularidade à intensidade. 
A regularidade é um vício de formiguinha, que trabalha sempre, mas devagar e bem. 
A intensidade é um vício dos que se consideram campeões, tal e qual como a cigarra, que passa muito do seu tempo a cantar em força, desmesuradamente, e depois acaba em lamentações por ter gastado as asas. 

Um sargo macho latino

Peço às cigarras deste barco, com o maior respeito, que não cantem em demasia, porque eu preciso de silêncio, de muita concentração para pescar. 
Esta minha solicitação não invalida, que se festejem as capturas, mas cigarrar … cigarrar constantemente, do género: 

- Destas 3 caixas de peixe, 2 são minhas!? 

Com esta tirada concluí, que o nosso Amigo Forte, disse quase o mesmo, há uns tempos, numa euforia pessoal de auto-elogio: 

- Destas 4 caixas de peixe, 3 são minhas!? 

A única caixa que não era do Malheiro

Pelos vistos temos escola. Nasceu uma nova equipa, uma EQUIPA SOL, pois brilhará mais que o nosso belo Sol. Fantástico! Kkkkkkkkkkkk 

3. Avaliação

 Se há coisas com que gosto de me entreter, uma delas é avaliar. Entretenho-me frequentemente a registar mentalmente o nível de capturas dos meus companheiros e o meu próprio, obviamente. Neste dia de pesca cheguei às seguintes conclusões: 

O Óscar aprecia a beleza

- O Óscar foi o pescador mais eficaz por causa sobretudo de uma nova cana azul e também ao facto de encher bem os anzóis com isco. O peixe em desova, ataca iscos grandes, por uma questão prática: não pode perder tempo, pois está rodeado de muitas sarguitas jeitosas e ansiosas. 

- O Cheta foi o pescador menos eficaz. Penso, que tal anormalidade se deve a uma estranha coincidência: calhou sempre fora dos sítios certos, onde se encontravam os sargos. Só lhe calharam fundos desertos de peixes. Acontece aos melhores. 

A única Choupa pescada pelo Cheta

- O Malheiro pescou bem, tal se devendo ao facto de estar a pescar com estranhos longos e finos(0,23) e o de baixo trabalhar para além da chumbada. A chumbeira de 150 (a mais leve do barco) também fazia correr a montagem na corrente, ficando quase todo o aparelhe quase paralelo ao fundo mar e não na vertical. Por isso, pescou diversas vezes 2 sargos em simultâneo: não sentia o peixe a comer o isco pousado no fundo do mar, só ferrando, quando sentia um dos anzóis de a puxar. Portanto, quando fazia a dupla, nunca sabia que vinham dois. Pura sorte, “Calhalho…)… Kkkkkkk 


- O Borges, pescou dentro da normalidade, isto é, sempre na regularidade. Nem muito, nem pouco, mas quanto bastasse. Olarilolé, assim é que é! 
EU, respeito o meu ritmo e acho, que a dedicação a este princípio, pode superar a falta de talento. 

4. Massa de bacalhau 

As saladas e a fruta não entram no cardápio dos nossos almoços. Antes abundam as massas, o arroz e as batatas, sempre como acompanhantes de carnes diversas. Carne, carne, carne…gordura, gordura, irra! 

Ai o meu colesterol

E os produtos do mar? Por exemplo: um arroz de polvo ou de lulas, ou de bacalhau, ou de marisco ou ainda, já que se aprecia a massa: uma massa de atum, ou uma massa de chocos, ou uma massa com ovos escalfados e muito coentro. Etc 
Ficam as sugestões. Se for necessário consultar um Nutricionista, consulte-se. 
Já disse, devemos estar sempre a decidir, em função da defesa da nossa saúde. 

Uma faneca, só
Um abraço e até à próxima massa de bacalhau! 

Leça, 16 de Fevereiro de 2019 
Luís M Borges