1.Era uma vez…
Era uma vez uma equipa de 5 pescadores, que costumava ir à pesca do alto mar aos sábados, excepto quando as condições marítimas não o permitiam. Contudo, por vicissitudes diversas, alguns deles faltavam à chamada, mesmo quando o mar se apresentava favorável ao exercício da pesca. Aconteceu até terem de ir pescar só 3 dos 5.
Uma das vezes foi numa pescaria aos gorazes, em que o Borges, o Cheta e o Óscar, se fizeram a eles denodadamente. Um êxito. Mão cheia de gorazes, como nunca lhes tinha acontecido. Os faltosos amuados, nunca lhes apeteceu aceitar a evidência e até mofaram com o assunto. O trio da superioridade ignorava tais acintes e não raras vezes os entendia como desgosto.
Ora, neste exemplar dia de Inverno, repetiu-se o êxito, não aos gorazes mas aos peixes diversos (sargos, choupas, carapaus, cavalas, serranos, fanecas, ruivos, pargos, besugos, etc). Os três ficaram embriagados, foram literalmente assaltados pelos peixes das 08h00 às 16h00, ou seja, durante seis horas de pesca, excepto a do almoço (aquela pausa necessária).
2. Uma taça de peixes
Foi assim. O dia começou com um vento da Meseta Ibérica gelado, que mais parecia do pólo Norte. Em conformidade, a vaga reagia com aspereza, mostrando-se agitada. Umas nuvens apareceram pintadas de sol.
Quando chegámos à marca, sentimo-nos desconfortáveis, com dedos tolhidos pelo frio e cabeças enfiadas em gorros de lã . Mesmo assim, encolhidinhos, lançámos os iscos, a ver no que daria. Como éramos três, logo à primeira aconteceu a soma ser – três vezes três igual a nove – mas com peixes dos grandes (sargos e choupas).
Foi tal o ritmo, quase alucinante, que ao pequeno almoço (às 09h30) já tínhamos 3 taças. E ao almoço (às 13h30) cinco taças. Às 16h00 encerrámos os trabalhos com sete taças.
3. Quem foi que chorou?
Agora adivinhem a questão que se nos colocava: como iríamos celebrar este feito excepcional?
Telefonaríamos ao Tio Celinho, ao Goucha ou à Cristina?
Chamávamos o Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos ou o CM TV? Convocaríamos uma reunião de pescadores das embarcações marítimo-turísticas na Marina de Leça ou todos os pescadores lúdicos conhecidos para um Jantar de amizade com leitão no Restaurante Flor do Ave?
E os nossos dois colegas, o Forte e o Malheiro? Que processo teríamos de utilizar, para que eles acreditassem no nosso feito histórico? Fotografias, tirar fotografias inquestionáveis? Foi o que fizémos.
Contudo, sinceramente, não acredito que nos dêem os parabéns. Estão a chorar…por não terem ido pescar.
4. Gastei o escamador!
Quando cheguei a casa, dei quase o meu peixe todo. Tirei alguns peixes e escamei-os. Acabei por inutilizar o escamador. As escamas eram grandes e duras. Bolas! Sem escamador, decidi esfolar os peixes maiores, guardando as respectivas peles. Queria fazer dois brindes para oferecer. Eh, eh, eh, eh…
5. Até o gato comeu
Bichano adora peixe. O Borges, o Cheta e o Óscar também adoram comer peixe. Então um pargo no forno ou uns carapaus grelhados ou uns sargos fritos, são petiscos de se lhes tirar o gorro. Até cozido o carapau é delicioso, embora os acompanhamentos sejam imprescindíveis e o vinho verde tinto não acompanha só a dobrada.
Mas, na minha casa existe outro ser vivo, que se delicia com o peixe que eu levo para casa. Chama-se Oshi. Massa de peixe é a sua especialidade.
Óscar com o seu pargo
O pargo do Borges, um pouco mais pequeno
As belas choupas e o rei pargo
6. Olha…uns chinelos!
Chinelos para...irá à sorte.
Adivinharão a quem os irei oferecer…eh,eh,eh…
Termino, dizendo que não há duas sem três, pelo que irá certamente acontecer a terceira avalanche piscícola, a três. Sómente a três. Topam? Adoro ouvir Chopin!
Leça, 12 de Janeiro de 2019
Luís M Borges


















