terça-feira, 30 de dezembro de 2014

31. Memórias do Alto Mar


Mar de Natal

 
1.Sorrirei sempre que a memória me possa exibir as imagens desta pescaria. Catálogo de luxo, com cenas de exuberância e de beleza.
Diria, que estavelmente, as choupas negras e gordas iam-se fazendo aos iscos freneticamente, a juntarem-se aos prateados sargos e aos buliçosos besugos rosa.
Dobravam-se as canas até ao limite e gritavam-se euforias, no acto de içar dois e três peixes enormes, quando assomavam à superfície da água e entravam no barco com jeitinho.

Como raridade, até saiu decreto a adiar a hora do almoço, para quando os peixes se quedassem, pelo que uma hora para além da hora, os 4 barões assinalados iam comendo massa de coelho e simultaneamente iam pescando. É que antes, na senda do aperitivo, como se costuma dizer e fazer, à volta do presunto, do queijo, do paté e do espumante, os sabores só tinham olhos para as ponteiras das canas, constantemente a incomodarem, buliçosas. E parava-se a mastigação e alçavam-se os peixes. Jamais tinha tido oportunidade de aperitivar e almoçar deste modo.
Dizia o Cheta: - Nunca vi coisa igual. Tanto peixe e desta qualidade?
O Óscar premiou-se com o maior besugo (quase 1 kg); o Malheiro com a mais roliça, escura e comprida choupa (1,2 kg); o Cheta com um sargo de forno (1,3 kg) e eu com um carapau de cinquenta. Porém, refira-se por ser verdade e relevante, que estas proezas recordistas não excediam tanto assim as restantes capturas, todas elas proeminentes.
Foi um dia grande, um dia de sol doirado, um dia de aragem fina e leve, um dia com um mar levemente cadenciado.

2.Começámos a pescaria às 08h00 no mar de Valongo e fez-se a poitada com muito cuidado e precisão.
Às 16h00 rumou-se a um Matosinhos brumoso, com a Marina a acolher-nos em silêncio.
Foi o nosso Mar de Natal e um encerramento de 2014 como nenhum. Que 2015 nos favoreça de igual modo!

Leça da Palmeira, 26 de Dezembro de 2014
Luís M. Borges