Diversificação
Na pesca no mar ainda há dias, com canas pesadas e
peixes de prato cheio, passei hoje para a pesca de rio, com canas pluma e
bordalos de pires. Estes extremos sempre me fizeram correr todo o percurso, da maresia
para o verdume, do grito das gaivotas para o alerta do melro, do ritmo
cadenciado das ondas para o suave correr das águas do rio e do mais de mil e
umas diferenças. Acabo exausto com esta ânsia de diversificação! Por que raio
sou assim?
Bem, vamos lá! Para o rio Paiva já com saudades,
eis-me com o meu amigo e companheiro Vaz de Carvalho a almoçar o “prego”
grande, tenro, saboroso e picante nas “Carvalhas”, com a Fernandinha a encher
dois copos de vinho verde tinto.
Depois, bem…já suspensos no cheiro a água e por entre
o arvoredo outonal, começámos a ver as bóias a flutuarem na corrente…
Na pesca há sempre distrações! Os castanheiros já
carregavam ouriços verdes e as folhas das videiras na ramada ainda escondiam
uns cachos de uvas americanas e a frescura do ar exigiu mais agasalho.
Entretanto, os pequenos peixes começaram a revelar-se.
Revelaram-se bastantes, os suficientes, na minha perspetiva. A de Vaz de
Carvalho é sempre mais exigente.
Por volta das 18h30 encerrámos as lides piscatórias,
no belo trecho do rio Paiva, que por deferência a uma nossa e simpática amiga
local, denominámos de sítio da “Milita”.
Pescámos mais de 150 peixes, entre bordalos, bogas e
escalos. Calhou-me um terço!
Ah… colhemos as tais uvas americanas e comemo-las à
romana, como fazia o Nero.
Rio Paiva, Espiunca, 11 de Outubro de 2013, LBorges